28 abril, 2010

Teologias que racham a Graça


por Luciano Gazola
Em 1998 conheci o Evangelho que já me conhecia a um bom tempo. Me lembro do cheiro daquela noite, dos louvores, dos perfumes, dos rostos, da voz do pastor Mario Silveira do abraço do pastor Valdemar... Os bancos da igreja, a arquitetura alemã literalmente alemã, fizeram um templo no calor do MS com telhado preparado para a neve da Europa. Longos passos da Issat Bussuam até a Mato Grosso onde morava na época. Um filme passou na tela da minha mente, vi minha vida toda em 4 km de caminhada.

Menos de um ano depois estava dentro de uma Faculdade Teológica, um Seminário, tudo muito diferente dos números da Contabilidade no campus da universidade Federal, bem diferente.

Nem sabia ainda o que era Igreja. Sim por que só sabemos depois, ou nunca sabemos.
Nem sabia o que era Teologia, na verdade o que sabia era que não valia a pena e podia ser um perigo para a piedosa caminhada.

Era um Luterano que mal sabia quem era Lutero.
Era um Luterano Pentecostal estudando na Faculdade Batista, e sim isso é quase impossível, quase inviável ou insuportável. No meio luterano éramos carismáticos demais, para os pentecostais muito tradicionais, para os batistas liberais me restava o neopentecostalismo, mas me engasguei com as prosperidades!

Ficamos sem identidade. No inicio da caminhada no Seminário alguns queriam nos evangelizar ou nos “batistalizar”. Tiramos de letra, digo tiramos porque o Pastor Wagner, hoje acadêmico de medicina, caminhou comigo por aquelas trilhas teológicas, pouco tempo depois éramos pentecostais de mais e aí nós é que queríamos pentecostalisar os batistas o que certamente não deu certo.

No meio de todo esse balaio de línguas fui enviado para o pastorado, no segundo ano do Seminário, pra começar um trabalho aqui em Fátima do Sul onde estou até hoje.

Amei a Teologia.
Amei as discussões.
Amei os Livros.


Mas só amei os colegas no final e alguns muito no final. Então percebi que o Evangelho podia estar ficando de lado, o Evangelho também ama discussões, mas para de discutir. Por amor as pessoas o Evangelho nunca racha a Graça!

Sim eu mudei muito. Os rios da filosofia, da teologia mudaram os óculos com que leio as coisas, cheguei a perder o ímpeto evangelístico para virar advogado do evangelho, grande besteira. Me tornei critico, matei deuses dentro de mim e cheguei a algum lugar que penso sinceramente ser o caminho.

Sim às vezes me sinto só nele.

Às vezes vejo uns poucos que nele querem andar e as vezes tenho vontade de correr para chegar na chegada, mas alguém sempre puxa a faixa para mais longe e ai tenho que continuar caminhando, correndo, suando e encontrando corredores no caminho. Nessa corrida o importante não é chegar primeiro, não é deixar outros para trás, basta chegar e quem chega vence.

Continuo amando as discussões, os livros e a teologia, continuo detestando alguns livros, algumas discussões, teologias, colegas... Bons tempos aqueles em que se discutia Calvino ou Armínio. Se perde ou não perde, se eram estranhas ou estrangeiras.

Hoje as vozes que ecoam dentro de mim são bem mais altas, mais poderosas, mas mesmo assim não podem matar pessoas, rachar a graça.

Lamento quando os caminhos da teologia racham a graça e impedem homens de viverem o Evangelho um para com o outro a fim de ficarem com os argumentos. Abro mão deles por um bom abraço, porque o abraço é evangelho e ele não me rouba o argumento. Mas o argumento pode roubar o abraço e ai rachar a graça no meio e nos deixar sem graça!

Quem sou?

Eu sei quem sou, sei no que creio, sei o que tenho vivido, mas sei que o caminho é bem maior do que tudo que sei para mim, por isso continuo andando e agora meio pentecostal, meio luterano, meio batista e totalmente Evangelho.

Pastor Abel receba meu abraço mano, com muito respeito com muito temor e com Evangelho que nos faz caminhar o caminho!

3 comentários:

Duda disse...

Fiquei muito angustiado com o desfecho dos fatos ... nem de longe imaginei tal situação.

Queremos refletir e não dividir.

Com pesar vimos todos fatos decorrentes ao texto postado dias atrás.

Em Cristo que em tudo nos conforta,


Duda.

Cristianismo autêntico disse...

Que texto maravilhsoso, cheio de sabedoria e bom senso, é assim que penso e vivo, sempre me relacionei bem no meio evangélico em diversos ambientes( tradicional, pentecostal e até neo). pois conheci em todos esses meios pessoas que amam Jesus e a sua palvra,que temem a Deus por amor e dedicação, que independente do muito ou pouco conhecimento valorizam o que é mais importante, o abraço, a vida, a amizade, o compartilhar Jesus, seu amor e sua graça, mas quando não entedendemos que as opiniões podem divergir na questão de entendimento, mas não no amor que não diverge nunca, pois ele tudo suporta e sobrepuja a tudo e todo, nos tornando tolerantes e pacientes com o diferente, tudo complica e transtorna e impossibilita a caminhada. Permaneçamos no amor, na longanimidade, na bondade, na mansidão, na paciência que é resultado de um andar no Espírito.
Deixo meu abraço e minha gratidão no amor de Cristo.
Pr. Abel F.

alex carrari disse...

Há uma significativa diferença entre fé e crença, um pouco mais de leitura e discenimento do corpo podem desanuviar nossa percepção.

Sugiro a leitura do belíssimo texto do Paulo Brabo "Minha fé não é aquilo em que acredito".

abç

alex