03 maio, 2010

Faca de Prata quebrada e uma lição sobre graça e misericórdia

Dos muitos fatos ocorridos em minha infância, marcada pela pobreza e constantes mudanças de casas, pois nos faltava à própria, fulgura um acontecimento que ainda hoje me emociona. Considero-o, a maior lição prática sobre graça e misericórdia que vivi. O mestre que me deu tal lição foi meu pai, um negro baiano e analfabeto que mal sabia desenhar as letras do próprio nome.

Meu pai, Luis Zacarias da Silva, certa vez contou-nos que saíra de casa quando tinha dezesseis anos. Fora embora, após uma violenta surra que recebera de seu pai. Mostrou-nos, em suas costas as marcas das chicotadas, conseqüência de uma punição que recebera ao ser acusado pela madrasta de ter enfrentado-a. De outra feita, já havia sido severamente surrado, sob a alegação de que dava maus exemplos aos mais novos, os quais já não queria obedecer às ordens daquela que ocupara o lugar da falecida mãe deles.

Após três dias tendo as chagas e os vergões lavados com salmoura por sua irmã Maria do Carmo, sentindo-se recuperado pegou o pouco de roupas que possuía e ao chegar ao portão ouviu de seu velho pai:
- Luis, se você atravessar aquele portão, esqueça o caminho de volta, esqueça que tem pai!

Diante de tais palavras, meu pai de costas para meu avô, olhando para a estrada respondeu:
- Perdi meu pai, a partir do dia em que ele passou a me surrar como se surrava escravos fujões na época da escravidão! Escravos... Na verdade é o que eu, a Du Carmo e os meninos nos tornamos, desde que a mãe morreu e o senhor se casou de novo. Faz tempo que o senhor já não nos trata como filhos! Para o senhor, nós sempre somos os errados! Trabalhamos de sol a sol em casa e na roça e por qualquer coisa apanhamos. Eu só quis defender a Do Carmo, porque já fazia horas que sua nova mulher estava batendo nela, devido o chão que ela disse que não estava bem limpo. Mas, o senhor sequer quis ouvir nossas explicações...

O velho interrompeu dizendo:

- Pense bem moleque! Se sair não tem meu perdão, nem que volte de joelhos implorando!

Meu pai respondeu:

- Perdão! Perdão só quem ama é capaz de dar! E quem ama não faz o que o senhor fez! Só peço que pela memória da mãe, não deixe mais isso acontecer com a Du Carmo e os pequenos... Adeus!

Muitos anos se passaram desde que meu pai deixou sua casa paterna em Feira de Santana - Bahia, e conhecera minha mãe, Tereza Vieira de Souza em Pereira Barreto – SP. Casaram, e depois de perambularem por Minas Gerais e outros estados, fixaram residência em Dourados – MS, onde eu nasci, sendo naquela altura o terceiro filho do casal, que nada mais possuíam além de um ao outro e a esperança de um dia ter uma casa própria.

Era a década de 80, faltava trabalho na cidade, e meu pai arrumou um emprego que o obrigava a viajar, passando às vezes até dois meses fora de casa. Viajou para Poconé – MT, juntamente com Roberto, companheiro de trabalho e de pesca, amigo que ele considerava mais chegado do que irmão. Um parecia sombra do outro, onde meu pai estava o Roberto estava também e vice-versa.

Certa vez no aniversário de meu pai, seu amigo deu-lhe de presente uma faca de prata, cuja bainha prateada, possuía desenhos de cavaleiros laçando bois. O cabo era prateado, igualmente trabalhado. A lâmina era de inox, possuía um brilho intenso e dava para fazer a barba usando-a como espelho. Aquele foi o primeiro e mais caro presente que meu pai recebera até aquela altura de sua vida. Para ele, o objeto adquiriu maior valor, pelo fato de que poucas semanas depois o Roberto contraiu uma doença e veio a falecer. Provavelmente a causa tenha sido a doença de chagas, que naquela época vitimava muitas pessoas por aquelas pagas.

De volta a nossa casa, enquanto nos mostrava a belíssima faca, seus olhos brilhavam de alegria. Porém, em determinado momento, com voz embargada, meu pai disse:
- Mulher, quem me deu este presente, não mais poderá fazê-lo, pois o Roberto morreu, portanto cuide bem dessa faca, não deixe os meninos mexer, pois ela tem muito valor para mim! Minha mãe o abraçou, e ele olhando para nós se conteve, pois ele dificilmente demonstrava emoção diante de nós. Nunca vimos nosso pai chorar. Acho que o sofrimento da sua juventude e depois as agruras da vida, o fizeram frio.

Contudo, aquele presente mexia com ele. Mas, dentre os três filhos ali em volta da mesa, o olhar do terceiro brilhava tanto quanto o de seu pai ao ver aquela bela faca.

Com a morte do Roberto e o termino do trabalho em Poconé, meu pai resolveu não mais trabalhar viajando. Arrumou um emprego na cidade em uma empresa de pavimentação asfáltica.

Lembro-me que algumas vezes ele tomado pela nostalgia, pegava a faca de prata, e passava a lustrá-la. E cada vez que fazia isso, eu observava que ele tinha por ela grande estima. Eu também ficava vislumbrado com a beleza dela e sentia vontade de pegá-la para brincar, mas resistia a tentação, pois sabia do significado dela para meu pai. Contudo, numa das vezes que ele foi guardá-la depois de tê-la dado brilho, eu fiquei de longe sorrateiramente observando.

Dias depois, meu pai, minha mãe e meus irmãos saíram deixando-me aos cuidados da “vózinha”, dona Aurora Maria, mãe de minha mãe, que morava conosco na chácara, onde tínhamos acabado de nos mudar. A chácara era ampla, ali pagávamos aluguel, mas podíamos plantar mandioca, milho, batata, criar alguns animais. O que mais me agradava nela é que havia uma aroeira grande, muito antiga, embaixo da qual eu gostava de brincar de “fazendinha”.

Naquele domingo em que fiquei sozinho com a vó Aurora, fui brincar e como de costume peguei algumas buchas vegetais, quebrei alguns galhinhos e espetei nelas, fazendo as pernas e os chifres, transformando-as em vaquinhas. Em determinado momento, as vaquinhas me lembraram a faca de meu pai. Pois, lembrei do relevo existente na bainha dela, onde um boiadeiro laçava uma vaca.

Novamente senti a tentação de pegá-la para brincar. Agora o desejo estava mais intenso e tudo conspirava para que pudesse saciá-lo.

Primeiro: Só minha avó estava em casa e estava tirando a costumeira soneca da tarde.

Segundo: Eu sabia onde o pai guardava porque um dia fiquei espiando ele.

Então pensei comigo: pegarei a faca, brincarei de boiadeiro, e depois a coloco de volta, o pai não vai nem saber!

Entrei furtivamente na casa, fui em direção ao quarto de meus pais. A porta estava encostada. Entrei, arrumei uma cadeira, subi nela e depois na estronca da parede, abri o baú, peguei o objeto desejado, desci, coloquei-o na cintura e voltei para minha “fazenda”. Chegando-la brinquei bastante e em determinado momento resolvi fazer um alvo na aroeira. E distanciando-se dela, lançava a faca rumo ao alvo enfincando-a por várias vezes na velha árvore.

Mas, perdi o equilíbrio ao fazer um lançamento, e a faca ao invés de bater de ponta como nos anteriores, bateu de lado no tronco da árvore quebrando-se em dois pedaços, rompendo a lâmina bem no pé do cabo.

Naquele momento, com os pedaços nas mãos, fui tomado por um desespero sem igual, pois o medo se apossou de mim. Veio-me a memória a cena do dia em que o pai chegou em casa com aquela faca e as palavras dele ditas a minha mãe ecoaram em meu ser: - Mulher, quem me deu este presente, não mais poderá fazê-lo, pois o Roberto morreu, portanto cuide bem dessa faca, não deixe os meninos mexer, pois ela tem muito valor para mim!

Pensei em colocá-la novamente no lugar, mesmo quebrada, mas meu pai quando fosse dar brilho nela, iria descobrir e bateria em mim e nos meu irmão até aparecer o culpado. E certamente depois eu apanharia de meus irmãos. Enquanto estava ali, pensando no que fazer, meu pai chegou com a mãe e meus irmãos. Vi de longe quando ele saiu novamente e a mãe entrou em casa.

Então fui até a cozinha me aproximei dela e disse-lhe:
- Mãe, eu quebrei a faca do pai!

Minha mãe olhando espantada para mim, disse:
- O que você disse que fez Zé do Carmo?

Eu olhando para o chão afirmei: - Eu peguei a faca do pai escondido e fui brincar de tiro ao alvo lá na aroeira velha, quando a joguei ela bateu na árvore e se quebrou em dois pedaços. Olha eles aqui!

Ela olhando para mim, com os pedaços da faca nas mãos, exclamou:
- Ó meu Deus! Socorra-nos nessa hora!

E em seguida, me dando uns sacoleijos, ela completou: - Menino, porque você foi fazer isso? Seu pai vai te surrar, você vai ter que se virar... Eu não vou te ajudar nisso, você é muito teimoso... Você sabe o quanto ele gosta dessa faca! Eu não vou fazer nada... Não quero nem estar perto. Você vai ter que falar para ele! Eu não vou nem te bater, porque certamente ele fará e muito.

Nisto meus irmãos já estavam por ali ouvindo tudo... E já começaram a cantarolar:
- Vai apanhar! Vai Apanhar!

A noite chegou e meu pai também, e conforme os minutos passavam aumentavam minha angustia e desespero. O pai tomou um banho e foi para a cozinha jantar. Minha mãe serviu a mesa para ele, ela e nós já havíamos jantado, aliás, só ela e meus irmãos, pois eu estava tão tenso que perdi a fome, mal relei na comida, coisa que raramente acontecia. Após servir a mesa, ela se retirou, e passando por mim disse: - Espera ele terminar e vai lá! Você fez seu angu de caroço, agora coma sozinho!

Eu ali desesperado, arrependido, com medo e ainda tendo que ouvir as risadinhas do João e da Francisca, que sempre diziam que a mãe me protegia e que só eles apanhavam, mas agora iriam a forra, pois estavam certos que naquela noite eu iria entrar no “rabo - de - tatu”.

Parecia que naquela noite, até os costumeiros grilos se recusavam a cantar, pois nada se ouvia na velha casa de madeira. O silêncio imperava no recinto, aproximei-me da porta, olhando para o interior da cozinha, lá estava meu pai assentado a mesa, a luz de uma lamparina, cuja chama bruxuleava ao ar, alimentada pelo pouco querosene. E por detrás das paredes, olhando pelas frestas das tábuas sem mata-junta estavam minha mãe e meus irmãos. Só não estava ali minha avó, a qual falou que iria ficar no quarto dela “rezando”, mas que mais tarde ajudaria minha mãe a preparar a salmoura e me dar banho depois da surra.

Naquele momento minha realidade era: solidão, culpa, a certeza e o medo de uma severa punição vinda da parte de meu pai. Mas, não tinha outra saída, eu tinha que enfrentar sozinho o meu pai, meu medo e as conseqüências de meus erros. Então, tomei coragem, entrei na cozinha, com as mãos para trás, na direita o cabo, na esquerda a lâmina, nas pernas a tremedeira e no coração o arrependimento e o temor do castigo. Caminhei em direção a meu pai, estava tremulo e amedrontado tanto quanto um condenado a pena capital, que no dia de sua execução tem que trilhar o corredor rumo ao carrasco e a morte certa.

Mas, não existia outra forma de sair daquele problema que eu mesmo criei. Era preciso ir pelo "caminho das pedras" e confessar minha transgressão. Parei distancia de um metro e meio da mesa. Com voz tremula, cabeça baixa, disse:
- Pai... Preciso falar uma coisa!

Ele respondeu: - Que foi! O que é que você quer Zé do Carmo?
Completei: - Sabe a faca de prata do senhor?

Ele respondeu: - Sim, eu sei! O que tem ela?

Engolindo seco, lacrimejando disse: - Eu sempre quis aquela faca! Queria brincar com ela! Mas sabia que o senhor não deixaria. Então, hoje quando o senhor saiu com a mãe e os meninos, eu entrei no seu quarto, subi no guarda-roupa, abri o baú e peguei ela...

Ele falou: - Você fez isso Zé?

Eu respondi: - Sim! Eu fiz pai...

Ele perguntou-me: - E cadê a faca?

Com as mãos para trás, olhando para o chão já molhado pelas lágrimas, corpo tremulo e com voz gaguejante disse: - Ela... Ela... que... quebrou...

Meu pai ficou em silêncio por alguns instantes fitando os olhos em mim, depois falou: - Deixe me vê-la.

Então, estendi as mãos para frente mostrando a faca quebrada. Diante dos dois fragmentos, meu pai se levantou da cadeira e se apoiando com as duas mãos sobre a mesa disse-me: - Venha aqui menino!

Nós quando fazíamos traquinagem em casa, costumávamos correr da mãe. Eu era gordinho, tinha alguns problemas de saúde, então, quando corria logo se cansava e ficava meio que com falta de ar, ai a mãe não batia em mim. Diferentemente de meus irmãos, algumas vezes em verdade e outras em malandragem, tal problema me livrou de muitas varadas de amora ou de guanxuma. Já o pai tinha um sistema diferente, filho que corresse dele, apanhava pela traquinagem feita e por ter corrido. Então quando ele chamava, tínhamos que ir até ele, certos de que iríamos apanhar.

Aquela distancia de um metro e meio parecia-me longa, era difícil tirar o pé do chão e caminhar em direção ao castigo certo. Diante da minha lentidão meu pai interveio dizendo: - Anda Zé do Carmo, venha cá!

Aproximei-me um pouco mais dele. Estendi as mãos, então ele pegando o cabo e a lâmina da faca quebrada, me perguntou:
- Você sabe o quanto eu gosto desta faca, não sabe?

Eu respondi: - Sim, eu sei.

Ele novamente falou: - Sabe também que foi o único presente que ganhei na vida, e que quem me deu já morreu!

Eu respondi: - Sim, eu sei que o seu Roberto morreu! Mas, eu só queria brincar um pouquinho de boiadeiro! Desde que o senhor a trouxe, eu gostei dela e fiquei com vontade de pegá-la, mas eu sabia que o senhor não deixaria... Mas, eu peço perdão... E se o senhor me perdoar eu nunca mais desobedeço... Sei que eu errei por ter entrado no quarto do senhor e da mãe e ter pegado a faca escondido... Mas não vou fazer mais, pai... Perdoa-me! Minhas pernas tremiam tanto que cai de joelhos!

Com os pedaços da faca nas mãos, meu pai silenciou-se, e o único som que se ouvia na cozinha era de meus soluços, e das risadinhas de meus irmãos

A essa altura minha camisa, estava ensopada de suor e lágrimas. Meu pai, rompendo o silêncio com voz autoritária ordenou: - Zé do Carmo, se levante, erga a cabeça e olha pra mim!

Levantei-me, ergui a cabeça, olhei para ele, com as vistas embaçadas pelas lágrimas e olhos ardentes de tanto chorar. Então ele com a faca em pedaços nas mãos, indagou-me: - Você gosta mesmo desta faca?

Eu disse: - Sim, pai, eu gosto dela, gosto muito.

Ele aproximando o cabo da lâmina, próximo ao rosto dele, como se fosse colá-los, me disse: - Acho que ainda da para soldar! O que você acha?

Respondi: - Não sei pai... O que é soldar?

Ele disse: - É emendar a faca de novo.

Ele falou: - Estenda a mão Zé do Carmo.

Eu tremulo estendi a mão direita. Ele pondo a lâmina e o cabo em minha mão, sorrindo e com o s olhos marejados de lágrimas, falou:- É sua! Já que gosta tanto dela, fica com ela, eu vou levá-la amanha na garagem, e vou pedir para o mecânico soldá-la.

Ao dizer isto. Ele puxou-me para mais perto dele, e me deu um abraço tão apertado e disse-me:
- Filho não faça mais coisas desse tipo, agora lava essa cara e vai dormir que já é tarde, amanha você tem que ir cedo para a escola.

Sentindo-me leve e livre, sai da cozinha com os pedaços da faca nas mãos, passei por meus irmãos, agora frustrados por não terem me visto apanhar do pai, olhei para eles e mostrei a língua. Diante da cena, minha mãe com lágrimas nos olhos chacoalhou a cabeça e disse: - Vão dormir gurizada!

Eu respondi: - Mãe, eu queria jantar, pois agora estou com muita fome, não tem mais comida pronta. A senhora faz um beiju para mim? Ela sorriu e foi me preparar um beiju na chapa do fogão de lenha, onde havia um braseiro ainda do fogo da janta.

Dos abraços que recebi na vida por fazer coisas certas, nenhum marcou tanto quanto àquele que recebi ao ter confessado que fiz uma coisa errada. Aquele ato paternal me fez mudar, e, eu passei a ser mais obediente aos meus pais. Penso que, se talvez meu pai tivesse repetido comigo, o que meu avô fez com ele no passado, a mágoa, a revolta e por fim o ódio teria se instalado em meu ser, e sabe Deus se em determinado momento, eu não sairia de casa, assim como ele um dia saiu da casa do pai dele.

Quatro anos depois do ocorrido, meu pai morreu aos trinta e três anos de idade, vitimado por um ataque cardíaco fulminante. Morreu sem morar na casa que tanto sonhara ter, teve como seu somente o terreno perpétuo que com muita dificuldade minha mãe comprou. A partir dai ela passou a cuidar de nós, trabalhando de lavadeira, crescemos e passamos a ajudá-la a cuidar da Aurora Taurina e do Orlando Zacarias da Silva, meus irmãos que na chácara eram pequenos. Mãe morreu há nove anos, vitima de complicações cardíacas. Com ela aprendi a encarar de frente os problemas, mesmo que sejam maiores que eu.

Morreu o homem, mas ficou a memória. Morreu o mestre, mas ficou a lição. Pois com o gesto dele, eu aprendi que, às vezes a melhor maneira de se recuperar alguém culpado, não é punindo-o, mas demonstrando amor e lhe perdoando a ofensa feita.

Vinte e nove anos se passaram, hoje sou pai e pastor, e todas as vezes que tenho que lidar com meus filhos ou minhas ovelhas quando eles erram me vem à mente a lição que aprendi aos sete anos de idade. Ainda hoje, sinto o calor daquele abraço, o abraço da graça que me enlaçou nos braços de um pai misericordioso.

Aprendi de me meu pai, um homem que nem igreja frequentava que: “Misericórdia, se usa com o culpado. Com aquele que merece castigo, punição, assim como eu certamente merecia. Sempre que me encontro diante de pessoas culpadas, procuro aplicar a lição que aprendi dele, pois lembro – me do seu ato de misericórdia para comigo.

Olhando tantas pessoas que foram expulsas ou vivem excluídas dentro de casa ou da Igreja por erros que cometeram. Ou como alguns irmãos agem pressionando o pai, o marido, a esposa, o pastor para punir quem erra. Chego à conclusão que a Igreja precisa entender o peso dessas palavras postas nos lábios de Oséias por Deus e reafirmadas por Jesus Cristo: Aprendei, pois, o que significa: 'Quero misericórdia e não sacrifício'. (Mateus, 9:13; 12:7). Talvez em nossos dias diante de muitos na sociedade, família e Igreja que clamam a punição de quem erra, Jesus diria: Misericórdia quero e não vingança!

A Igreja precisa aprender para si e ensinar para a sociedade que, ter misericórdia não é compactuar com a impunidade, mas agir com amor, sentindo no coração a miséria do outro que já está sofrendo internamente sob o peso do erro cometido. Misericórdia é para ser dada a quem deve, assim como Jesus nos ensinou na parábola do Credor incompassivo. Mateus 18: 23-35

Dentre tantos textos bíblico que falam sobre a misericórdia, um dos que me faz tremer e temer é este:
“O juízo será sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo.” (Tg 2:13)

Que Deus me de a graça de exercer misericórdia, assim como Ele tem sido misericordioso para comigo.

Na Graça e na Raça. Pr. Zé do Carmo (Zé do Egito)
Original no Povo Chamado Metodista.

***

A faca que meu pai me deu, desapareceu em uma de nossas muitas mudanças de residências. O objeto se foi, mas ficou na minha memória a cena vivida há vinte e nove anos. Preguei esta mensagem na minha comunidade no ultimo domingo dia 21 de Março, com o tema Graça e Misericórdia. Deus operou maravilhosamente e pudemos sentir vidas perdoando, se perdoando e sendo perdoadas.

E no final do culto, quando estava na porta me despedindo dos irmãos, a irmã Josefina, uma senhora viúva disse-me: - Pastor meu finado marido possuía uma faca dessas que o senhor falou. Vou procurar em casa no baú dele, se acaso ela estiver por lá, estou dando-a de presente ao senhor. Na segunda ela me ligou e disse pode vir buscar seu presente. Veja abaixo a foto que ganhei da irmã, que certamente passará de pai para filho.

2 comentários:

Taga disse...

muito boa mensagem!

Mensagem ao pastor disse...

Que linda mensagem pastor e que linda história gostaria muito que respondesse meu e-mail eliezer_sr@hotmail.com quero conversar mais com o senhor a respeito desta mensagem. Um grande abraço Eliezer de Canguçu RS