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17 março, 2013

O Milton Nascimento não pensava em nós - Zé Bruno

Assisti ao programa “On The Record” do canal Bis com John Mayer, um programa de entrevistas apresentado por Touré Neblett. 

Gosto do John Mayer como guitarrista e bluesman, ele me faz às vezes pensar que estou ouvindo um blues pop e clássico texano ao mesmo tempo, e com requintes de Stevie Ray Vaughan. A carreira Pop de John Mayer não me agrada muito, mas isso é apenas a minha opinião, o cara é uma celebridade, deve estar certo e eu errado seguramente. Que bom que não sou o dono da verdade, o mundo fica bem melhor assim...rsrsrs 

Voltando ao assunto, gosto muito de ouvir compositores falando sobre suas inspirações, gente que compõe falando no que pensava enquanto compunha, ou o que pensava antes de compor. Gosto muito de filosofar sobre o acaso que levou o poeta a descobrir sabedoria e transformá-la em arte digerível para a comunidade de admiradores. Gosto da contribuição que o compositor dá à humanidade através dos devaneios de sua reflexão. Gosto de gente que compõe e fala com as minhas emoções e com a minha razão ao mesmo tempo. Gosto de gente que sente o que fala, tanto quanto pensa antes de falar. Pra mim, a inteligência de quem escreve, é tão importante quanto a emoção contida no que escreveu. Pra dizer a verdade só me emociono com o que entendo. Recomendo este programa com John Mayer e o programa com David Gray, outro compositor e cantor britânico que admiro. 

Não sou o tipo de cara que procura sons, tons ou palavras que o povo goste de ouvir, estou sempre à procura de melodias e palavras que possam expressar o que eu quero falar, independente de quem vá ouvir. 

Nesta entrevista, John Mayer disse algo com o qual me identifiquei. Touré perguntou se a vida e as coisas que o rodeavam, faziam parte do seu universo inspirador, John Mayer disse que sua humanidade, seus erros e acertos, enfim, tudo, fazia parte de seu universo de inspiração, tudo vem da observação e do coração, disse ele: “Se você fechar o seu coração, você não será mais capaz de fazer música, apenas fazer gravações”. 

Achei isso fantástico! 

Nossa música cristã está amparada por um sem número de congressos que ensinam “adoradores” a “adorar”, que ensinam líderes de louvor a levar o povo a louvar. Não sou contra isso, absolutamente, tudo é necessário, mas sinto falta da filosofia da coisa. Temos uma prateleira cheia de opções musicais pra nossa Igreja cantar no domingo, são milhares, ou milhões de CDs lançados todos os meses, e sinto falta de algo que me soe novo. Alguém faz uma música sobre “Estar apaixonado por Jesus”, não faço juízo de valor, julgo ter sido uma experiência genuína individual de alguém, mas porque fez sucesso, o Brasil é invadido por uma avalanche de músicas sobre estar apaixonado. Uma música sobre a Chuva de Deus faz sucesso, de repente, é enchente de Manaus a João pessoa, de Brasília a Porto Alegre, toda Igreja grava um DVD sobre a chuva. Uma música sobre Restituição, e todos os compositores do Brasil recebem a mesma inspiração no dia seguinte. 

Estamos em busca da inspiração perdida ou da fórmula do sucesso? 

O sucesso não é pecado, mas ele vem depois da arte feita, não é produzido por antecipação. Quero ser Lennon/McCartney, e não Fernando/Sorocaba. Nada contra o sertanejo nem contra dupla em questão, apenas nomes que me vieram à mente, mas quero ser inspirado pelo que me faz sentir, entender e viver, e não inspirado pelo sucesso de alguém pra ter o que o “bem sucedido” tem. 

No mundo inteiro há compositores tentando achar a fórmula do sucesso, o elixir da aceitação pública, o caminho místico que leva ao Grammy, cada dia uma tentativa nova acontece. O pior é que dá certo, o povo gosta!!! 

Lererê Lererê, é o tchan, eu quero tchum eu quero tchá, tchêtchererêtchetche fulano de tal e você! 
Eu entendo...todos querem dar certo...vá lá...normal. 

Meu consolo matemático é que por mais longeva que seja a manifestação, um dia o limite estatístico das combinações possíveis do alfabeto ocidental colocará um ponto final nessa onomatopeia. É a redenção que espero. Se não viver pra isso, pelo menos usei e abusei da liberdade de escolha individual do ser humano. 

Eu sei o que você vai me dizer, o mundo musical não existe pra mim, a música é de todos, eu sei, é apenas o meu direito de falar e ouvir. Quem mandou acessar este blog...rsrsrsrs 

Não estou dizendo que sou bom, ou certo, e o resto errado, ou ruim, apenas aqui quero revelar como penso e sinto, e de alguma forma compartilhar com alguns, o que julgo ser importante. Não sou o dono da verdade, ao contrário do rei Roberto, esse cara não sou eu! 

É comum ver na terra gente que tenta achar a fórmula, é normal acontecer com quem só quer a fama, tudo bem...mas não conosco! Não com a gente, não com quem tem uma contracultura, não com quem tem o evangelho, não com quem deve apresentar a Deus um culto racional, não com quem deveria pensar pra falar e sentir pra compor. Não podemos nos auto-plagiar, não estamos procurando o que dá certo, já temos o que dá certo, precisamos desenvolver a nossa arte. 

Não sou contra o mercado, nem contra o sucesso, nem contra o comércio, eles são amorais, imoral é o homem, é quem se move neles, e do jeito que se move neles. 

“Se você fechar o seu coração, você não será mais capaz de fazer música, apenas fazer gravações”. 

Penso que temos muitas gravações. 
Penso que tem muita gente gravando e poucos compondo. 
Penso que o mundo não sabe, mas espera pelo que temos a dizer. 
Penso que temos muito a dizer 
Penso que temos que pensar antes de dizer 
Penso que temos preguiça de pensar 
Não quero pensar que somos incapazes de pensar 
Penso, logo existo. 
Se penso mal sou uma aberração da existência 
Mas se penso bem, penso que pode existir uma saída pra nós. 

Certas canções que ouço 
Cabem tão dentro de mim 
Que perguntar carece 
Como não fui eu que fiz 
Certa emoção me alcança 
Corta minha alma sem dor 
Certas canções me chegam 
Como se fosse o amor 
Contos da água e do fogo 
Cacos de vidas no chão 
Cartas do sonho do povo 
E o coração do cantor 

Vida e mais vida ou ferida 
Chuva, outono ou mar 
Carvão e giz abrigo 
Gesto molhado no olhar 
 Calor invade arde queima 
Encoraja amor Invade arde carece de 
Cantar amor . . . 

- Cê tava cantando pra gente Milton?...Tava pensando em nós?...Não?...Que pena...

***

Originalmente daqui.
Você já conhece o blog do Zé Bruno? Clica aí:

17 janeiro, 2013

O Netinho - David Coimbra


O netinho - por David Coimbra

Ninguém entendeu por que Gonzalo desistiu da herança da avó e largou o bom emprego que tinha e sumiu da cidade, sem destino, andarilho vagabundo. 
Eu entendi. 
Verdade que não se tratava de herança importante, nenhuma fortuna, mas os outros netos lutaram feito hienas famintas por ela. E, de todos, Gonzalo era quem tinha mais direito. Sobretudo ao apartamento. 
Gonzalo morou naquele apartamento a vida toda, ele e a avó, só os dois. A mãe, depois de separada, não podia sustentar os três filhos, então, mal Gonzalo nasceu, foi deixado aos cuidados da avó. Que não reclamou. 
Ao contrário, Gonzalo tornou-se a razão da sua vida. Fazia tudo por ele. Como geralmente acontece com os avós, ela o amava com uma doçura jamais dedicada a um filho. Gonzalo cresceu em meio aos mimos da avó, tinha chazinho quente quando adoecia, tinha comidinhas especiais todos os dias. Dela, ele merecia tudo, embora tudo que ela pudesse dar não fosse muito. A avó vivia da pensão de viúva que recebia de um montepio. 
Com aquele dinheirinho contado, sustentou o neto, pagou-lhe a faculdade e, mesmo depois de ele estar trabalhando, comprava-lhe meias de lã para o inverno e biscoitos recheados para o lanche da tarde. 
Conheci a velhinha. 
Era gordinha e pequena, em tudo redonda. Uma avó de história em quadrinhos, uma perfeita Dona Benta, sempre sorrindo atrás dos óculos, sempre mexendo uma panela na cozinha, especialista em quitutes e histórias do tempo em que as moças coravam e os moços faziam mesuras. 
Gonzalo gostava dela, claro que gostava, mas nunca chegou a ser um neto afetuoso. Recebia os carinhos da velha com a indiferença típica da juventude. Convertido em um espigado rapagão, continuava vivendo com a avó, e ela continuava a cumular-lhe de atenções, apesar de já estar bastante doente. Volta e meia, o ar lhe faltava e ela se sentia nas vascas da morte, os pulmões ameaçando explodir. Decidiu precaver-se. Temendo um dia ter de internar-se com urgência no hospital, passou a economizar para pagar o médico. Todos os meses, retirava um naco da pensão, fazia um canudinho com um atílio e guardava num compartimento que havia na parte de cima do roupeiro. 
Gonzalo não prestava muita atenção nos males da avó. Não tinha tempo. Trabalhava de dia, estudava de noite e nos finais de semana ia para a casa da namorada. Não percebia que a velhinha piorava a cada semana. Uma noite, ela estava especialmente mal, e nem assim Gonzalo reparou. Chegou em casa perto da meia-noite, cansado e de mau humor. A velhinha ouviu o barulho na fechadura da porta, levantou-se com alguma dificuldade, arrastou-se até a cozinha e preparou um jantar quente para o neto. Levou o prato fumegante e um copo de suco de laranja até o quarto, onde ele dormia de roupa e tudo, as costas apoiadas na cabeceira da cama. Acordou-o com um beijo. Ele abriu os olhos, viu a comida e, sem dizer palavra, tomou o prato e começou a comer. Ela sorriu e lhe deu boa-noite. Gonzalo nem respondeu. Estava mastigando. 
Aquela noite, a velhinha não dormiu. A falta de ar a sufocava angustiantemente. Pela manhã, chegou a pensar em não preparar o café para o neto. Nunca, em 20 anos, deixara de lhe fazer café. Não queria decepcioná-lo, não nesses dias em que ele trabalhava e estudava tanto. Levou 10 minutos parar erguer-se da cama, arrastou-se pelo corredor e foi para a cozinha. Quando Gonzalo saiu do banho, o café estava na mesa. Mas a velhinha se sentia arrasada. Pediu: 
– Meu amor, não vai trabalhar hoje. 
Fica um pouco com a vó... 
Gonzalo riu: 
– Ih, não dá. Estou cheio de trabalho. 
– Só um pouquinho. Liga pra eles... 
– Não dá, vó. Não dá. Até estou atrasado. 
Tchau. 
Fui. 
Foi. 
Saiu sem nem escovar os dentes. Voltou às onze da noite, cansado, como sempre. Encontrou a avó caída num canto do quarto, no chão, ao lado do banquinho no qual ela subia para alcançar o topo do roupeiro. Na mão direita, a trouxinha de dinheiro que ela guardara para pagar o hospital. Morrera sozinha, sufocada, decerto pensando no neto, decerto chamando por ele. 
Depois do enterro, os irmãos disseram que Gonzalo podia continuar morando no apartamento. Ele não quis. Foi embora, ninguém sabe para onde. Largou tudo, ninguém sabe por que. Eu sei.

09 outubro, 2012

Cagar de porta aberta - Por Alexandre Gazola


Por Alexandre Gazola

A vida as vezes prega umas peças na gente, e algumas dessas são puro presente de Deus pra gente. Foi assim que recebi esse doce presente do meu mano xaxa, que comumente não nos divide seus altos pensamentos, mas que veio surpreender com essa síntese do relacionamento com Deus numa analogia e muito mais do que isso, numa experiência viva e verdadeira do que é partilhar de todos os momentos com o Pai e desfrutar de Sua presença. 

Xaxão, te amo mano! E muito obrigado por nos presentear com seus pensamentos, que não nos esconda mais esse talento, afinal somos três!




Cagar de porta aberta
Se alguém pedisse pra mim descrever a palavra intimidade eu responderia cagar de porta abertaNo sul existe uma expressão que diz: Amigo de cagar de mãos dadas, isso significa parceria ,amor e muita intimidade. Quem é casado sabe bem como é, alguns demoram um pouco,outros já cagam de porta aberta logo na lua de mel, assim que somos uns mais tímidos e outros menos.


Um dia desses melhor dizendo uma noite dessas eu estava trabalhando, e hoje em dia não trabalho mais no trecho (rodovias) 
ainda trabalho com caminhão mas ando quase só no mato puxando madeira pra uma fábrica de celulose, e é nesse mato que vejo muitos bichos, cobra, queixada , anta ,lobo guará e já vi até uma onça parda, e foi justamente lá no lugar onde vi a a onça, que minha barriga pediu arrego; eu havia tomado uns tereré meio forte para passar a noite acordado e não tive escolha, vesti toda aquela parafernália de EPI, perneira, capacete, lanterna, todos equipamentos obrigatórios e desci do caminhão. 

Se eu usasse todos aqueles adjetivos, Soberano Deus, Pai da eternidade, Senhor dos Exércitos, eu cagava nas calças, então o papo foi reto, tamo junto vem comigo afasta as peçonhentas que o resto eu faço, e assim foi o eleriado... Quando voltei para o caminhão fui tomado por uma unção e não foi a unção do alívio, FOI DEUS MANO... e antes que Ele falasse algo já fui logo dizendo:
- Pô eu sei que hoje não havia falado contigo, pega leve aí, eu TE AMO e isso foi muito sincero.

Na moral, pude sentir Deus falando na hora comigo "Eu te amo meu filho e sempre estou contigo", sinceramente é difícil passar um dia que eu esteja só no caminhão que eu não fale com Ele, louve e ore. Bato papo mesmo cara, eu piro com Deus e isso pra mim é muita intimidade poder falar e estar com Ele incondicionalmente.

Ter Jesus na sua vida e cagar de mãos dadas com Ele não é tão difícil, basta você reconhecer ele como Senhor e Salvador de sua vida de todo seu coração, o difícil é seguir aquele eleriado todo da igreja.


Não me leve a mal, mas minha cara e meu estilo é bem overall (Charlie Brown Jr)

10 setembro, 2012

Santo Remédio - Ed René Kivitz

Quase ninguém sabe o que é benzilpenicilina benzatina, mesmo os que já sofreram da agulha de um Benzetacil. E o que dizer do bromazepan, cujo nome de guerra é Lexotan! Sabe quem é o brometo de n-butilescopolamina? Nada mais, nada menos do que o Buscopan. E se você preferir o Buscopan Composto, basta chegar na farmácia e pedir brometo de n-butilescopolamina com dipirona sódica. O aciclovir é mais conhecido por Zovirax e o cloridrato de fluoxetina é o famosíssimo Prozac. Jamais viajo sem a companhia de mucato de isometepteno mais dipirona sódica mais cafeína anidra: a Neosaldina.

O Evangelho é um santo remédio. Bem, pelo menos, costumava ser. Ou melhor, ainda é, caso estejamos falando do genérico. Sim, porque os laboratórios eclesiásticos institucionais empacotaram a essência de maneira a torná-la mias atraente e, nessa manipulação das substâncias, o conteúdo do Evangelho foi alterado. Até porque mais vale a embalagem e o marketing do que o remédio em si. Fiz uma pequena pesquisa no mercado e encontrei o genérico Evangelho empacotado em diversas versões. Uma pior que a outra, mas todas muito populares.

Encontrei o Evangelho versão incorporação. A receita diz que o usuário deve esvaziar-se completamente de suas responsabilidades pessoais para tornar-se gradativamente um mero instrumento despersonalizado das for;as espirituais. A fórmula foi muito usada nos terreiros de macumba e centros espíritas, adotadas pelos "cavalos" e "cambonos", e depois foi adotada por setores da Igreja Evangélica que acreditam que o ideal de intimidade com Deus e desempenho ministerial é a completa anulação de si mesmo em sujeição ao Espírito-espíritos. Ao usar o Evangelho versão incorporação, o usuário passa a justificar todas as coisas pela ação direta do Espírito Santo - ou outro espírito, sabe-se lá: "Foi o Espírito quem mandou"; "Foi o Espírito quem disse"; "Foi o Espírito quem me conduziu", e outras coisas, como se o Espírito Santo tivesse baixado no sujeito, da mesma forma que nos terreiros baixa o santo.

Encontrei também o Evangelho versão segregação. Esse aí, muito caro. Usado apenas por uma casta especial de favorecidos por Deus: os filhos do Rei. Os usuários do Evangelho da Segregação proclamam que as riquezas do mundo pertencem a Deus e seus filhos, e foram usurpadas pelo Diabo e pelos ímpios. Acreditam que, após algumas doses regulares, geralmente tomadas em correntes e vigílias, os favorecimentos divinos vão sendo canalizados na direção deles, e somente deles. Dizem que o pão é nosso, mas "nosso" significa "nosso, dos crentes". A fórmula foi emprestada dos regimes totalitários, em que as benesses sociais são acessíveis apenas aos que são leais ao poder estabelecido, e os "rebeldes" são espoliados em favor de uma minoria. Diversos segmentos da Igreja Evangélica acreditam que Deus existe para satisfazer os seus, e o mundo existe para ser saqueado.

Há também o Evangelho de meditação. Este é o administrado apenas nas farmácias espirituais certas, em sujeição aos enfermeiros espirituais certos. Sua fórmula foi desenvolvida na tradição do catolicismo romano pós-Constantino, e está baseada no "institucionalismo hierarquizado", muito popular nos grandes impérios eclesiásticos centrados nas figuras carismáticas de seus fundadores e proprietários. Desde os tempos da Idade Média, quando bastava ser nascido dentro das fronteiras do império para ser considerado cristão, há segmentos da Igreja Evangélica que acreditam que a relação com Deus é subproduto da correta identificação institucional. A propaganda deste remédio não fala masi de antes e depois do Evangelho, antes e depois de Cristo, mas de antes e depois da igreja A ou B, antes e depois da unção do bispo, do missionário e do apóstolo.

Já deparei também com o Evangelho versão sacramentalismo. Este remédio é administrado com dia e hora marcados, aliás, como a maioria dos remédios. Para ter acesso a uma dose, o usuário deve comparecer às atividades propostas pela autoridade clínica: a igreja e seu respectivo guru. Justiça seja feita, ninguém fica sem uma dose. Basta ligar o rádio e a TV, e logo os usuários ficam sabendo onde será e quando começa a próxima corrente da fé, a campanha da vitória, a noite do milagre, o dia do santo jejum, e por aí vai. Quem não estiver lá, perde a dose. Fica sem o remédio. A fórmula foi desenvolvida também na cultura da Santa Missa - sacramento supõe transferir graça - e adotada por segmentos da Igreja Evangélica que acreditam que a participação na ciranda do culto é a principal fonte de benefício espiritual para os fiéis. E fonte de enriquecimento para a indústria farmacêutica espiritual, é claro.


***

Outra espiritualidade
Capítulo 6, pag 39
Ed René Kivitz

22 agosto, 2012

Indo pelo caminho


Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos".
Mateus 28:18-20

O encontro

Foi um encontro inusitado. Jesus estava passeando pelas ruas de Brasília, passou pela rodoviária do Plano, aquela multidão, ninguém o reconheceu. Viu um jovem a passos largos, bíblia embaixo do braço, se aproximou:



- Olá rapaz! — Jesus aborda o jovem que apressa ainda mais o passo.

- Olá moço. Desculpe, estou com pressa. O jovem demonstrou desgosto pela interrupção do estranho.

- Tudo bem, eu que me desculpo pela interrupção. Você está indo a algum lugar especial?

- Estou indo para a igreja!

- Indo à igreja?

- É! Frequento a Igreja Pentecostal dos Milagres de Jesus… Pô, eu estou com pressa, o culto já começou, dá para dar licença. O jovem quase começa a correr, tentando se esquivar daquela situação desagradável com o estranho. Alguém que aborda o outro na rua, não deve ter boas intenções.

- Igreja Pente… (imagine a cara de Jesus nesse momento). Posso ir com você?

- Ãããã… Vamos, não tem problema. Mas ai se alguém perguntar você fala que frequenta a minha célula.

Já na entrada do templo ambos são recebidos por um diácono que prontamente indica um local com cadeiras vazias.

- Quem é? Jesus pergunta apontando o diácono com a cabeça.

- É o Diácono Manoel.

- Ahhhh. Ele que cuida dos pobres e zela para que na igreja não tenha nenhum necessitado?

- Hein???? O Manoel? Ele é diácono, não a Madre Tereza. Fica quieto senão ele vem aqui. Pô, nunca veio em uma igreja não? Senta ai…

- Na verdade ir a igreja é um conceito novo para mim, sempre preferi fazer parte do Corpo. Mas e você, como anda sua vida? O que…

- Psssssiiiuuu. O jovem interrompe bruscamente a conversa. Fica quieto ai! O pastor tá pregando lá, tá vendo não?

- Mas, aqui não é a igreja? O local onde se reúnem os filhos de Deus? Onde a família do Pai celestial se junta em um só coração, compartilham suas vidas necessidades, se ajudam mutuamente?

- Cara, de que planeta você veio hein??? Aqui é igreja, tá viajando? A gente vem, escuta a palavra, dá a oferta e vai embora. O jovem acha graça daquele estranho, com idéias totalmente novas e desconhecidas.

- Mas e quando vocês conversam?

- No fim do culto ué! Caaara, vou acabar com problemas por causa dessa conversa. Sou aspirante e o Manoel tá me filmando lá da porta.

- Então quando acaba o culto é que a igreja se relaciona? O culto não é o momento no qual o meu … o Corpo de Cristo manifesta a graça do Espírito? Um tem salmo, outro ensino, outro revelação… e todos falam para edificação mútua?

- Vééééiiii. De onde você tira essas idéias malucas? Para você falar algo tem que ter 12 discípulos, ai se candidata a aspirante. Quando for promovido a oficial pode falar na célula. Meu, pelo menos fala que é da
minha célula viu?? Você já me queimou mesmo com essa falação toda. Se ficar de boa eu te levo para conhecer meu líder ai você fala essas paradas com ele.

- Então, na célula vocês compartilham suas necessidades, dons e graça do Espírito?

- Não rapá, a célula é para ganhar mais pessoas para Jesus!!!!

- Ganhar… para Jesus? E depois, o que fazem com quem vocês dizem que ganharam?

- A gente põe eles para abrir novas células, lógico!

- Entendo, foi bom falar contigo. Jesus se levanta no meio da palavra e estende a mão ao jovem.

- Ué não vai assistir o culto?

- Não, obrigado, não sou muito de assistir… vou lá fora cultuar.

O jovem fica triste, pois Jesus saiu antes do apelo e ele viu que perdeu a oportunidade de levar mais um para sua célula. Após o término do culto, a caminho da rodoviária do Plano ele vê Jesus, sentado, cercado de pessoas de má índole, conversando alegremente. Não consegue se segurar:

- Owwww, você não disse que ia sair da igreja para cultuar??? O que está fazendo então cercado desses mundanos pecadores????


****

Em todo tempo somos nós que levamos o evangelho à todo lugar, conscientes ou não disso, é principalmente fora das paredes de concreto, que ainda insistem em chamar de igreja, que realmente somos a Igreja de Cristo e lá fora é que seremos Seu bom perfume.

Que cheiro temos exalado e que sabor temos dado ao mundo?



Recebi por email, do meu maninho Timóteo.

05 julho, 2012

Soldado ou irmão?



Ao invés de identificar a igreja como um exército, procure vê-la como a família de Cristo. 


Enquanto o exército produz bons e fiéis soldados, capazes de seguir qualquer ordem, a família produz o amor capaz de perdoar qualquer falha e superar qualquer dificuldade. 


Pense nisso, 




Duda.



Hora de Mudar

Más escolhas suas ou mesmo de outros, podem lhe causar uma noite ruim, um dia ruim ou uma semana ruim. De toda forma cedo ou tarde cessará o efeito dessa má escolha.

Uma vida ruim somente poderá ser fruto da sua continuidade em ter escolhas ruins. 

O seu presente está mais relacionado ao que você escolheu hoje ao levantar-se do que anos atrás. 

Não se conforme ao presente simplesmente por causa do passado. 


Eis que ponho diante de ti a benção e a maldição.


Pense nisso, 


Duda.




22 junho, 2012

O momento - por Eduardo Gazola



As vezes deixamos passar os bons momentos. 

É sem perceber que perdemos esses momentos. 
A primeira palavra do seu filho, o primeiro passo. 
O hora certa de fazer o carinho no rosto da pessoa amada. 

Estamos ocupados. Estamos corridos.

Dormimos tarde, acordamos cedo, almoçamos correndo. 

Aquele momento que deixei passar nunca mais se repetirá. Outro talvez, mas aquele nunca mais. Os ponteiros teimosos do relógio giram somente para a frente. 

Havia um tempo em que uma gota de chuva no rosto era um carinho especial de Deus, e hoje atrapalha o meu caminho. O momento que eu deixei passar, eu perdi. 

Mas não precisa ser assim. 
Eu posso passar a aproveitar melhor os momentos que recebo gratuitamente. 

Posso dar maior atenção aos meus amigos, ter mais tempo para eles.
Posso ter mais tempo para minha família, posso fazer melhor. 

E você? 

Vou tentar argumentar e dizer que preciso trabalhar, é verdade, eu realmente preciso trabalhar. Mas quando eu começo a perder o pôr do sol trabalhando, algo está errado. 

Posso tentar dizer que também meus amigos são ocupados, mas é fato que alguém precisa dar os primeiros passos. 

Aquela gota de chuva que caiu e aquele raio de sol que aqueceu aquela tarde sábado ... foram e não voltarão. Haverá um tempo em que eu não poderei mais aproveitar um raio de sol e nesse dia, como na música epitáfio do titãs, talvez eu vá remoer e me arrepender. 

Fato é que são esses pequenos momentos que realmente nos dão prazer, e haverá tempo em que eles não terão o mesmo sabor. Uma maçã murcha não tem o mesmo sabor da tenra fruta tirada do pé. 

Há coisas que não podem ser deixadas para amanhã. Nenhuma correria vai repôr esses pequenos fragmentos de vida que se perderam.

Eu não pretendo mais deixar para amanhã. 

Não temos nem teremos o controle de tudo, se o momento passar ele pode não repetir. 

Por isso deixe a chuva cair e molhar o rosto, deixe o sol brilhar e aquecer o corpo, deixe os filhos nascerem e aconchegar o coração. Há momentos que não podem ser adiados.

E você, vai só lembrar da chuva? 

Eduardo Gazola, Chapecó, SC
22 de Junho de 2012.


***
Deixo um pequeno presente que recebi do meu maninho Timóteo, vídeo e letra que me inspiraram à rápidas letras jogadas no texto pensando na chuva que eu não senti...

É só clicar no quero ler mais.

19 junho, 2012

Dos Medos - por Luciano Gazola



Há uns dez anos atrás ouvi alguém dizer que o medo era raiz de todos os buracos da alma humana, e que o medo era a chave do inferno! 
Eu estava na Faculdade comendo Bíblia e ouvindo pessoas que muito tinham e tem a me dizer. 


Construí teologias cristalinas e bíblicas, e me defendi com palavras como as que as que João disse, o verdadeiro amor lança fora todo medo
Com isso tentei disfarçar na forma de coragem o medo de pensar, de refletir e esse sim é um dos molhos que abre o inferno! 


Não tenho mais medo de pensar mas ainda tenho alguns medos... 
Porém muito mais amor do que medo. 


Aprendi com a escolha de Davi que pecou porém teve a graça de escolher que tipo de punição sofreria. “Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois grande é a sua misericórdia, a cair nas mãos dos homens”. 


O padre Antônio Vieira comentou a passagem: “O juízo dos homens é mais temeroso do que o juízo de Deus; porque Deus julga com entendimento, os homens julgam com a vontade”. 


É por medo de ser o que se é que os seres humanos tentam ser divinos... 
É por medo de suas fraquezas que vestem a roupa da calunia, do maldizer... 


No mar da graça aprendi que o Evangelho não é um barco, nem uma roupa, nem um colete... É um convite! Se jogue no mar e você não ira afundar. Lucio

03 abril, 2012

Creio na ressurreição do corpo



Os cristãos do primeiro século escandalizaram o mundo afirmando que Deus se fez carne, padeceu e morreu no corpo, e no corpo ressuscitou. O Credo Apostólico ecoou no mundo antigo e reverbera até hoje: Creio na ressurreição do corpo, o que acarreta uma absoluta revolução na vida desde aqui e para a eternidade. A respeito disso, Paulo Brabo comenta a obra de Alan F. Segal, Life After Death, que discorre sobre a geografia e a história da vida após a morte na cultura ocidental, e também a respeito da radical diferença entre o pensamento grego e o pensamento judaico-cristão. 


Os gregos acreditavam que a essência do ser humano é a alma. O corpo é uma prisão, disse Platão. Acreditavam que o corpo era perecível e efêmero, diferente da alma, imperecível e eterna. 

28 março, 2012

Usando vacas para falar da vida

Por Luciano Gazola


Nas trilhas da caminhada cruzei por algumas vacas. 
Outro dia conversava com alguém que nunca tinha visto uma vaca frente a frente, ao vivo, estranho para mim, por mais urbano que seja nasci no interior do Rio Grande do Sul e vi muitas vacas, ainda as vejo, sempre tem uma vaca no nosso caminho! 


Tinha lá meus dez anos de idade quando corri de uma vaca louca com tanta agilidade que cruzei uma cerca de arame farpado sem entender até hoje como consegui. 


Tinha quinze quando em uma pescaria com meu pai à procura de um lugar melhor, caminhamos em torno da barragem do Passo Fundo, eu, ele e meu primo João. Vimos pegadas de uma vaca e alguém disse: se a vaca passou por ali podemos passar também. Afundamos, e até hoje não sei como a vaca passou! 


Já tinha 30 quando retornava de férias do Sul, e em Mundo Novo andando um pouco mais rápido do que o necessário uma vaca cruzou a frente do meu carro. Até hoje eu e a Priscila não sabemos por onde aquela vaca passou. 


Sempre tem uma vaca no nosso caminho! 


Mas nunca vi uma vaca abandonada, sempre tem alguém que queira uma vaca. Você já viu uma vaca abandonada? Vacas sempre dão algum lucro. Já vi crianças abandonadas, já vi velhos abandonados e pobres abandonados, mas vacas ainda não. Se um dia houver uma vaca abandonada, certamente não precisará passar pela fila de adoção, pois sempre há lugar para uma vaca em nossos corações. 


Jesus no Evangelho de Lucas 16 conta uma história, cria uma parábola para que os sabichões da lei entendessem a cerca do Reino de Deus. A parábola é simples e provocante. Um mendigo chamado Lázaro morre e vai para o céu. Um homem rico sem nome algum morre, e vai para o inferno e de lá tenta se concertar, mediar algumas coisas. O pobre vira rico no céu e o rico vira pobre no inferno. Qual é o problema de ser rico? Ser pobre é alguma virtude que nos leva a algum nível de santidade? 
A parábola, entre as muitas coisas que ilustra, sugere uma resposta sobre como identificar o Deus de alguém. Antes de contá-la Jesus indica que é impossível servir a dois senhores, é impossível servir a Deus e a Mamom, é impossível servir a dois deuses. A avareza indica a que deus servimos e aponta o caminho aonde chegaremos


O Deus que servimos não se revela em nossos discursos, não se revela na nossa aparente qualidade de vida terrena, nem tão pouco nas intenções de nossos corações. O Deus que servimos se revela nas nossas atitudes. As boas novas não são um belo discurso, não são prosperidades, nem bondade de coração. A boa nova é uma ação que gera mudanças e inversões apontando com clareza o Deus que servimos. Deus se revela no nosso cuidado com o outro, independente de lucros e ganhos, sempre teremos vacas e Lázaros no nosso caminho... A quem serviremos?
Luciano Gazola,
Fátima do Sul-MS,
26 de Março de 2012

13 março, 2012

Naqueles tempos e naquele tempo...

Luciano Gazola
Acho que eu tinha dezesseis anos. Os Titãs foram tocar em Santo Ângelo. Era uma noite de muita chuva. O anfiteatro estava lotado, mas a grama tinha virado lama, éramos muitos. Na maioria absoluta, jovens cheios de sonhos, desejos, pensamentos e irresponsabilidades. Ao meu lado um cara com uma garota na garupa, ela gritava e cantava e bebia, bebia muito! 


Naqueles dias eu ainda não externizava nada ou quase nada do que sentia, mas sentia muita coisa, eu sentia que podíamos mudar o mundo, sentia que ao som das guitarras e no poder das letras de Legião, Titãs, Engenheiros, podíamos mudar tudo... Mas eu sentia só para mim e geralmente esse sentimento terminava com a úultima cerveja. 


Então de tanto sentir e não fazer nada, acabei anestesiado! 


Acho que eu tinha vinte e dois anos, era sábado. Chovia em Campo Grande uma garoa paulista. Éramos muitos, a grama virava lama aos poucos. Do meu lado um cara com uma garota na garupa, ela gritava, chorava, orava. No palco Oficina G3. Olhava para o lado e olhava para cima e sabia de novo que podíamos mudar o mundo, ao som do Rock de G3, Resgate na palavra do Baterista que externizava um Evangelho de tribos! 


Naqueles dias eu voltava a sentir, dessa vez externizava muito. A anestesia havia passado. Verbalizei ideias, vivi delas e fiz com que a maioria acontecesse. Aprendi muito. Aprendi que não era eu, que era Ele e que éramos muitos e que o segredo era a soma de todos. Fizemos um monte de coisas. Crescemos, conquistamos, cansamos, caímos e levantamos um milhão de vezes. Alguns vieram, alguns passaram e alguns ficaram! 


Então vieram os goles de religião, poder bem mais anestesiante do que a velha cerveja. 


Antes de me anestesiar novamente eu corri, entendi que se eu não parar não haverá anestesia. Hoje busco um caminho sem atalhos onde o poder daqueles tempos e daquele tempo possam andar juntos nesse tempo! Eu encontrei e vou andar por ele e Nele para sempre sem anestesiar.






Luciano Gazola,
 Fátima do Sul-MS,
 13 de Março de 2012.

08 março, 2012

Caminhante

Por Luciano Gazola


Um dia me disseram que eu era livre. Meu primeiro ato de liberdade causou-me uma marca na testa que carrego até hoje, no álbum infantil o registro do primeiro tombo. 
Nos atalhos da Teologia troquei liberdade por livre arbítrio e hoje, liberdade de novo! Me Libertei dos atalhos, pelo menos desse atalho. 


O perigo de um mundo cheio de trilhas é taxarmos os caminhantes pelos sapatos que usam, pelos caminhos que escolhem. Caminhante é sempre caminhante, tira-se a roupa, os sapatos e fica o caminhante... 


Um dia me disseram que eu era guia de uma destas trilhas, e fui. Aprendi a subir montanhas, fazer fogo com gravetos, comer sementes e apontar o caminho. O problema é que de cima da montanha enxerguei outras trilhas e elas também levavam a algum lugar e Ele também estava lá


Me assustei! Pensava mesmo ser a minha trilha a única, não achava que era a melhor. 
Achava que era a única


Resolvi observar outras trilhas, outras tribos. Usavam roupas parecidas com as minhas e as minhas eram diferentes das dos meus caminhantes
Cansei de apontar o caminho, resolvi ir lá e ver. E vi! 


Era mesmo outra trilha, outros caminhantes, outras roupas, outras montanhas, mas Ele também estava lá! 


Agora caminho. Carrego na mochila a sinceridade de quem quer andar, a fé de quem sabe quem esta lá e o amor que fará pegadas no caminho. 


To aprendendo caminhar. A minha trilha eu conhecia muito bem, mas ela me fez perigosamente acreditar que era única e não era a única! 




Luciano Gazola, 
Fátima do Sul-MS, 
8 de Março de 2012.

28 setembro, 2011

The Village(2004) - Um olhar da filosofia sobre a Verdade (por Eduardo Gazola)

por Eduardo Gazola
Esse excelente filme de M. Night Shyamalan (mesmo autor do Sexto Sentido), 2004, trata entre os meandros da trama, sobre o conceito de verdade absoluta

O filme fala sobre um grupo de pessoas traumatizadas pela violência do mundo que resolve isolar-se em uma vila criada no meio de uma reserva florestal. Eles abdicam totalmente do convívio com o mundo, tanto de tecnologias quanto pessoas. 
Para garantir o sucesso de suas escolhas eles criam uma verdade que garanta o isolamento da vila. Quero que vocês assistam o filme e portanto não irei dar mais detalhes sobre a trama, cabe ressaltar o genial autor, diretor e produtor M. Night e a atuação de Adrien Brody e Bryce Howard (que faz uma jovem cega), aonde até peguei um gancho e experimentei rodar por dentro de casa com os olhos fechados tentando fazer as tarefas comuns sem o auxilio dos olhos, indico a experiência...

Mas o que realmente me motivou a escrever esse texto depois de ter visto 3 ou 4 vezes o filme, é sobre o senso de verdade abordado pelo filme e que também permeia nossa vida, ou ainda o que é e pode ser aceito por conhecimento.

Como definimos o que é verdade? 

22 setembro, 2011

Canto dos Livres - Cenair Maicá



Canto dos Livres - Cenair Maicá

Se meu destino é cantar, eu canto
Meu mundo é mais que chorar, não choro
A vida é mais do que pranto, é um sonho
Com matizes sonoros
Hay os que cantam desditas de amores
Por conveniência agradando os senhores
Mas os que vivem a cantar sem patrão
Tocam nas cordas do seu coração
Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer
Quisera um dia cantar com o povo
Um canto simples de amor e verdade
Que não falasse em misérias nem guerras
Nem precisasse clamar liberdade
No cantar de quem é livre
Hay melodias de paz
Horizontes de ternura
Nesta poesia de andar
Quisera ter a alegria dos pássaros
Na sinfonia do alvorecer
De cantar para anunciar quando vem chuva
E avisar que já vai anoitecer
E ao chegar a primavera com as flores,
Cantar um hino de paz e beleza
Longe da prisão dos homens, da fome
Prá nunca cantar tristeza
Quem canta refresca a alma
Cantar adoça o viver
Assim eu vivo cantando
Prá aliviar meu padecer


*** 

No cantar de quem é livre hay melodias de paz ... cantar adoça o viver.
E nós, nobres irmãos, livres que somos, há melodias de paz em nosso viver? 
A nossa alma está refrescada? 
Podem os outros ver em nós a liberdade conquistada na Cruz pelo Único Digno?

....

Por isso eu vivo cantando, pra adoçar meu padecer ... 


Já me chamaram de passarinho, pq vivo cantando, mas é que desde que fui livre da sentença de morte eu passei a viver as melodias de paz. 

Resolvi postar essa bela música de um artista lá da região de onde veio esses guris do blog, aproveitando a semana farroupilha, e lembrando que a nossa revolução já foi feita, e a nossa liberdade está garantida. 
Por isso cante meu irmão e minha irmã, adoce a vida dos seus com melodias de paz e alivie o padecer daqueles que ainda carecem da Esperança.

Mas bah tchê, não é que os guris são gaúchos mesmo!?


17 setembro, 2011

Não depois, mas enquanto - Ed René Kivitz

Não depois, mas enquanto

Tentar enxergar o sentido por trás das coisas é um exercício que consome muita energia e dá pouco resultado. Boa parte das conclusões a que chegamos não passa de especulação. Fazemos alguma coisa e esperamos que a gratificação venha depois, mas ela normalmente não vem. Acontece conosco, aconteceu com o Eclesiastes. Por quê? Porque a felicidade não é no depois: é no durante, é no enquanto.

A porta de saída desse enigma do Eclesiastes esta dentro do próprio texto: "Na verdade, eu me alegrei em todo o meu trabalho. Essa foi a recompensa de todo o meu esforço" (2:10).

O que aconteceria se nós conseguíssemos desfrutar de cada momento sem esperar que ele nos proporcionasse alguma felicidade futura? Nós conseguiríamos desfrutar o momento sem desperdiçá-lo. E isso faria alguma diferença? Sim, toda a diferença se pretendermos vencer o utilitarismo.

Viver o enquanto é uma atitude que nos devolve à vida. Quando você assiste a um filme, seu prazer está no filme, não depois do filme. Quando você está com fome, seu prazer dura enquanto você está comendo. Depois de se alimentar, não há mais prazer na comida. A roda de amigos, cheia de risadas e camaradagem, é prazerosa enquanto dura a roda. Depois que cada um toma seu rumo, o efeito das risadas se dissipa, e se instala a saudade, que para alguns é um tipo de prazer e felicidade. Quando você dá um abraço apertado no seu filho, aquela sensação de pertencimento deve ser desfrutada enquanto você o está abraçando. Viva sua porção de felicidade enquanto estiver fazendo alguma coisa: ficar esperando uma gratificação posterior é ilusão, é correr atrás do vento.

Viver o enquanto é "a arte de presentificar a vida". Fazendo assim, você volta para a vida, você a vive na hora certa, e vai se alegrar com seu trabalho, porque isso vem da mão de Deus.

***

Trecho extraído do livro: O livro mais mal-humorado da Bíblia, de Ed René Kivitz, capítulo 2, páginas 49 e 50. 

Se você deseja ouvir a pregação Vencendo o Utilitarismo que é o capítulo 2 inteiro do livro, clique na janelinha abaixo e seja abençoado. 






Adquira o livro, tenho certeza que você será recompensado pelas prazerosas páginas de leitura.