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01 fevereiro, 2013

O que nos torna humanos?



Henry Nouwen foi um sacerdote católico, de origem holandesa. Ensinou nas Universidades de Harvard e de Yale, escreveu 40 livros, publicados em 20 idiomas, com mais de 20 milhões de cópias vendidas. Mas seu maior legado foi deixado pelo seu trabalho na comunidade Daybreak, nos arredores de Toronto, no Canadá, onde Nouwen desenvolveu suas atividades pastorais por oito anos.

De acordo com seus relatos, a coisa mais importante que Nouwen fazia na Daybreak era cuidar de Adam.
“Adam é um homem de 25 anos de idade”, disse Nouwen, “que não consegue falar, não consegue vestir-se, nem tirar a roupa, não pode andar sozinho, não pode comer sem ajuda. Ele não chora nem ri. Apenas às vezes faz contato com os olhos. As costas são deformadas. Os movimentos dos braços e das pernas são distorcidos. Ele sofre de severa epilepsia e, apesar de pesada medicação, raros dias se passam sem ataques do grande mal. Às vezes, quando fica subitamente rígido, emite um gemido imenso. Em algumas ocasiões já vi uma grande lágrima rolar por sua face. Levo cerca de hora e meia para acordar Adam, dar-lhe medicação, carregá-lo até ao seu banho, lavá-lo, barbeá-lo, escovar seus dentes, levá-lo à cozinha, dar-lhe o café da manhã, colocá-lo na sua cadeira de rodas e levá-lo até ao lugar onde passa a maior parte do dia com exercícios terapêuticos”.

Philip Yancey, jornalista e escritor, conta que jamais esqueceu o dia em que acompanhou a rotina de Nouwen na Daybreak. Seu relato começa com uma confissão corajosa. “Devo admitir que tive uma dúvida passageira quanto a ser aquele o melhor emprego da sua vida”, diz Yancey. “Eu ouvira Henri Nouwen falar e lera muitos dos seus livros. Ele tinha muita coisa a oferecer. Outra pessoa não poderia assumir a tarefa servil de cuidar de Adam?”.

“Quando cautelosamente mencionei o assunto com o próprio Nouwen”, diz Yancey, “ele me informou que eu interpretara de todo erradamente o que estava acontecendo”. Veja como Nouwen encarava seu relacionamento com Adam.

“Não estou desistindo de nada. Sou eu, não o Adam, quem recebe os principais benefícios de nossa amizade. As horas passadas com Adam deram-me uma paz interior tão satisfatória que fez com que a maioria de suas outras tarefas intelectuais parecessem enfadonhas e superficiais por contraste. No começo, quando me assentava com esse homem-criança desamparado, percebia como a busca do sucesso na academia e no ministério cristão era obsessiva e marcada pela rivalidade e pela competição. Adam me ensinou que o que nos torna humanos não está na nossa mente, mas no nosso coração, não é a nossa capacidade de pensar, mas a nossa capacidade de amar“.

*Recebido por email.

17 janeiro, 2013

O Netinho - David Coimbra


O netinho - por David Coimbra

Ninguém entendeu por que Gonzalo desistiu da herança da avó e largou o bom emprego que tinha e sumiu da cidade, sem destino, andarilho vagabundo. 
Eu entendi. 
Verdade que não se tratava de herança importante, nenhuma fortuna, mas os outros netos lutaram feito hienas famintas por ela. E, de todos, Gonzalo era quem tinha mais direito. Sobretudo ao apartamento. 
Gonzalo morou naquele apartamento a vida toda, ele e a avó, só os dois. A mãe, depois de separada, não podia sustentar os três filhos, então, mal Gonzalo nasceu, foi deixado aos cuidados da avó. Que não reclamou. 
Ao contrário, Gonzalo tornou-se a razão da sua vida. Fazia tudo por ele. Como geralmente acontece com os avós, ela o amava com uma doçura jamais dedicada a um filho. Gonzalo cresceu em meio aos mimos da avó, tinha chazinho quente quando adoecia, tinha comidinhas especiais todos os dias. Dela, ele merecia tudo, embora tudo que ela pudesse dar não fosse muito. A avó vivia da pensão de viúva que recebia de um montepio. 
Com aquele dinheirinho contado, sustentou o neto, pagou-lhe a faculdade e, mesmo depois de ele estar trabalhando, comprava-lhe meias de lã para o inverno e biscoitos recheados para o lanche da tarde. 
Conheci a velhinha. 
Era gordinha e pequena, em tudo redonda. Uma avó de história em quadrinhos, uma perfeita Dona Benta, sempre sorrindo atrás dos óculos, sempre mexendo uma panela na cozinha, especialista em quitutes e histórias do tempo em que as moças coravam e os moços faziam mesuras. 
Gonzalo gostava dela, claro que gostava, mas nunca chegou a ser um neto afetuoso. Recebia os carinhos da velha com a indiferença típica da juventude. Convertido em um espigado rapagão, continuava vivendo com a avó, e ela continuava a cumular-lhe de atenções, apesar de já estar bastante doente. Volta e meia, o ar lhe faltava e ela se sentia nas vascas da morte, os pulmões ameaçando explodir. Decidiu precaver-se. Temendo um dia ter de internar-se com urgência no hospital, passou a economizar para pagar o médico. Todos os meses, retirava um naco da pensão, fazia um canudinho com um atílio e guardava num compartimento que havia na parte de cima do roupeiro. 
Gonzalo não prestava muita atenção nos males da avó. Não tinha tempo. Trabalhava de dia, estudava de noite e nos finais de semana ia para a casa da namorada. Não percebia que a velhinha piorava a cada semana. Uma noite, ela estava especialmente mal, e nem assim Gonzalo reparou. Chegou em casa perto da meia-noite, cansado e de mau humor. A velhinha ouviu o barulho na fechadura da porta, levantou-se com alguma dificuldade, arrastou-se até a cozinha e preparou um jantar quente para o neto. Levou o prato fumegante e um copo de suco de laranja até o quarto, onde ele dormia de roupa e tudo, as costas apoiadas na cabeceira da cama. Acordou-o com um beijo. Ele abriu os olhos, viu a comida e, sem dizer palavra, tomou o prato e começou a comer. Ela sorriu e lhe deu boa-noite. Gonzalo nem respondeu. Estava mastigando. 
Aquela noite, a velhinha não dormiu. A falta de ar a sufocava angustiantemente. Pela manhã, chegou a pensar em não preparar o café para o neto. Nunca, em 20 anos, deixara de lhe fazer café. Não queria decepcioná-lo, não nesses dias em que ele trabalhava e estudava tanto. Levou 10 minutos parar erguer-se da cama, arrastou-se pelo corredor e foi para a cozinha. Quando Gonzalo saiu do banho, o café estava na mesa. Mas a velhinha se sentia arrasada. Pediu: 
– Meu amor, não vai trabalhar hoje. 
Fica um pouco com a vó... 
Gonzalo riu: 
– Ih, não dá. Estou cheio de trabalho. 
– Só um pouquinho. Liga pra eles... 
– Não dá, vó. Não dá. Até estou atrasado. 
Tchau. 
Fui. 
Foi. 
Saiu sem nem escovar os dentes. Voltou às onze da noite, cansado, como sempre. Encontrou a avó caída num canto do quarto, no chão, ao lado do banquinho no qual ela subia para alcançar o topo do roupeiro. Na mão direita, a trouxinha de dinheiro que ela guardara para pagar o hospital. Morrera sozinha, sufocada, decerto pensando no neto, decerto chamando por ele. 
Depois do enterro, os irmãos disseram que Gonzalo podia continuar morando no apartamento. Ele não quis. Foi embora, ninguém sabe para onde. Largou tudo, ninguém sabe por que. Eu sei.

09 outubro, 2012

Cagar de porta aberta - Por Alexandre Gazola


Por Alexandre Gazola

A vida as vezes prega umas peças na gente, e algumas dessas são puro presente de Deus pra gente. Foi assim que recebi esse doce presente do meu mano xaxa, que comumente não nos divide seus altos pensamentos, mas que veio surpreender com essa síntese do relacionamento com Deus numa analogia e muito mais do que isso, numa experiência viva e verdadeira do que é partilhar de todos os momentos com o Pai e desfrutar de Sua presença. 

Xaxão, te amo mano! E muito obrigado por nos presentear com seus pensamentos, que não nos esconda mais esse talento, afinal somos três!




Cagar de porta aberta
Se alguém pedisse pra mim descrever a palavra intimidade eu responderia cagar de porta abertaNo sul existe uma expressão que diz: Amigo de cagar de mãos dadas, isso significa parceria ,amor e muita intimidade. Quem é casado sabe bem como é, alguns demoram um pouco,outros já cagam de porta aberta logo na lua de mel, assim que somos uns mais tímidos e outros menos.


Um dia desses melhor dizendo uma noite dessas eu estava trabalhando, e hoje em dia não trabalho mais no trecho (rodovias) 
ainda trabalho com caminhão mas ando quase só no mato puxando madeira pra uma fábrica de celulose, e é nesse mato que vejo muitos bichos, cobra, queixada , anta ,lobo guará e já vi até uma onça parda, e foi justamente lá no lugar onde vi a a onça, que minha barriga pediu arrego; eu havia tomado uns tereré meio forte para passar a noite acordado e não tive escolha, vesti toda aquela parafernália de EPI, perneira, capacete, lanterna, todos equipamentos obrigatórios e desci do caminhão. 

Se eu usasse todos aqueles adjetivos, Soberano Deus, Pai da eternidade, Senhor dos Exércitos, eu cagava nas calças, então o papo foi reto, tamo junto vem comigo afasta as peçonhentas que o resto eu faço, e assim foi o eleriado... Quando voltei para o caminhão fui tomado por uma unção e não foi a unção do alívio, FOI DEUS MANO... e antes que Ele falasse algo já fui logo dizendo:
- Pô eu sei que hoje não havia falado contigo, pega leve aí, eu TE AMO e isso foi muito sincero.

Na moral, pude sentir Deus falando na hora comigo "Eu te amo meu filho e sempre estou contigo", sinceramente é difícil passar um dia que eu esteja só no caminhão que eu não fale com Ele, louve e ore. Bato papo mesmo cara, eu piro com Deus e isso pra mim é muita intimidade poder falar e estar com Ele incondicionalmente.

Ter Jesus na sua vida e cagar de mãos dadas com Ele não é tão difícil, basta você reconhecer ele como Senhor e Salvador de sua vida de todo seu coração, o difícil é seguir aquele eleriado todo da igreja.


Não me leve a mal, mas minha cara e meu estilo é bem overall (Charlie Brown Jr)

27 agosto, 2012

Três Maneiras de Olhar para a Bíblia - Ed René Kivitz

Transcrevo aqui um trecho do 13º capítulo do livro "O livro mais mal humorado da bíblia" de Ed René Kivitz. O livro traz reflexões sobre a vida, o cotidiano, o nosso trivial, sobre o plano de fundo de Eclesiastes e a visão de Salomão sobre a vida. Em especial quero ressaltar a citação de Rubem Alves que no mínimo deve servir de motivação para o raciocínio e questionamento. 

Segue:


Três Maneiras de olhar para a bíblia.

A primeira maneira é olhar para Bíblia como um manual de instruções. Para o Eclesiastes, Deus é o Criador do universo e da raça humana. Nada melhor, portanto, do que perguntar ao próprio Criador como é que a criatura funciona. Se olharmos para a Bíblia como um manual de instruções, percebemos que os mandamentos de Deus não são restrições impostas por uma divindade melindrosa, mas sim um caminho de vida. "Funciona melhor quem vive assim e assado", poderia dizer o Eclesiastes. Ele recomendaria observar os mandamentos de Deus porque, em geral, a vida funciona melhor para quem obedece, e desanda para quem se rebela. Embora não sejamos máquinas que vêm de fábrica com manual de fabricante, e a vida seja complexa o suficiente para se submeter a regras, parece claro que a existência humana observa certos padrões mínimos.

A segunda maneira é olhar para a Bíblia como referência para a peregrinação espiritual. Tudo o que está na Bíblia é palavra inspirada por Deus, mas isso não quer dizer que toda a Bíblia é pronunciamento de Deus, que automaticamente receba seu aval (grifo meu). Creio na soberania de Deus, que permitiu o texto inspirado chegar até nós. No entando, creio que Deus não ditou a Bíblia, não se pronunciou de uma ponta a outra, não foi assertivo nem propositado em cada palavra ou versículo dela.
Algumas declarações que constam na Bíblia foram feitas por Davi, outras por Paulo, e ainda outras por João. Algumas declarações bíblicas são uma coletânea de sabedoria universal, outras são cânticos de lamento de um povo oprimido no cativeiro, além de uma grande quantidade de histórias de pessoas que tiveram uma experiência com Deus.
Apenas pessoas muito simplórias pretendem obedecer literalmente à Bíblia Sagrada, entendendo que tudo o que nela está escrito se deve obedecer para sempre. Um texto de Rubem Alves ilustra bem esse ponto.

Digo isso a propósito de uma carta dirigida a Laura Schlessinger, conhecida locutora de rádio nos Estados Unidos que tem um desses programas interativos que dá respostas e conselhos aos ouvintes que a chamam ao telefone. Recentemente, questionada sobre a homossexualidade, a locutora disse que se trata de uma abominação, pois assim a Bíblia o afirma no livro de Levítico 18:22. Um ouvinte escreveu-lhe então uma carta que vou transcrever: "Querida doutora Laura, muito obrigado por se esforçar tanto para educar as pessoas segundo a lei de Deus. [...] Mas, de qualquer forma, necessito de alguns conselhos adicionais de sua parte a respeito de outras leis bíblicas e sobre a forma de cumpri-las: Gostaria de vender minha filha como serva, tal como o indica o livro de Êxodo 21:7. Nos tempos em que vivemos, na sua opinião, qual seria o preço adequado? O livro de Levítico 25:44 estabelece que posso possuir escravos, tanto homens quanto mulheres, desde que sejam adquiridos de países vizinhos. Um amigo meu afirma que isso só se aplica aos mexicanos, mas não aos canadenses. Será que a senhora poderia esclarecer esse ponto? Por que não posso possuir um canadense? Sei que não estou autorizado a ter qualquer contato com mulher alguma no seu período de impureza menstrual (Levítico 18:19 ; 20:18; etc). O problema que se me coloca é o seguinte: como posso saber se as mulheres estão menstruadas ou não? tenho tentado perguntar-lhes, mas muitas mulheres são tímidas eoutras se sentem ofendidas. Tenho um vizinho que insiste em trabalhar no sábado. O livro de Êxodo 35:2 claramente estabelece que quem trabalha aos sábados deve receber a pena de morte. Isso quer dizer que eu, pessoalmente, sou obrigado a matá-lo? Será que a senhora poderia, de alguma maneira, aliviar-me dessa obrigação aborrecida? No livro de Levítico 21:18-21 está escrito que uma pessoa não pode se aproximar do altar de Deus se tiver algum defeito na vista. Preciso confessar que eu preciso de óculos para ver. Minha acuidade visual tem de ser 100% para que eu me aproxime do altar de Deus? Eu sei, graças a Levítico 11:7-8, que quem tocar a pele de um porco morto fica impuro. Acontece que adoro jogar futebol americano, cujas bolas são feitas de pele de porco. Será que me será permitido continuar a jogar se usar luvas? Meu tio tem um sítio. Deixa de cumprir o que diz Levítico 19:19, pois planta dois tipos diferentes de semente ao mesmo campo, e também deixa de cumprir a sua mulher, que usa roupas de dois tecidos diferentes, a saber, algodão e poliéster. Será que é necessário levar a cabo o complicado procedimento de reunir todas as pessoas da vila para apedrejá-la? Não poderíamos queimá-la numa reunião privada? Sei que a senhora estudou esses assuntos com grande profundidade de forma que confio plenamente na sua ajuda. Obrigado de novo por recordar-nos que a palavra de Deus é eterna e imutável. (Homossexualidade e outros pecados. Folha de São Paulo, edição de 30 de Setembro de 2008)

Definitivamente, a Bíblia é a palavra de Deus, não por ser um livro de regras, mas por registrar e perenizar um singular caminho de sabedoria espiritual.

A terceira maneira é olhar a Bíblia como revelação de mistérios. Há realidades a respeito da dimensão espiritual que jamais conheceríamos se Deus não as tivesse revelado. Creio que há dimensões da vida às quais jamais chegareis através da especulação racional. Por isso me submeto ao que a Bíblia diz e a trato como revelação de Deus. Para mim a Bíblia é inquestionável. Mas, quando se trata de vivência pessoal e normatização social, eu a trato como referência e olho para os mandamentos de Deus como caminhos de vida. Para obedecer, precisamos ser inteligentes.


***


Fica para reflexão geral, e se gostou do post, compartilha no facebook, tem os links aqui embaixo para curtir e compartilhar, assim ajuda a divulgar o Reflexão.


Abraços, 


Duda.


22 junho, 2012

O momento - por Eduardo Gazola



As vezes deixamos passar os bons momentos. 

É sem perceber que perdemos esses momentos. 
A primeira palavra do seu filho, o primeiro passo. 
O hora certa de fazer o carinho no rosto da pessoa amada. 

Estamos ocupados. Estamos corridos.

Dormimos tarde, acordamos cedo, almoçamos correndo. 

Aquele momento que deixei passar nunca mais se repetirá. Outro talvez, mas aquele nunca mais. Os ponteiros teimosos do relógio giram somente para a frente. 

Havia um tempo em que uma gota de chuva no rosto era um carinho especial de Deus, e hoje atrapalha o meu caminho. O momento que eu deixei passar, eu perdi. 

Mas não precisa ser assim. 
Eu posso passar a aproveitar melhor os momentos que recebo gratuitamente. 

Posso dar maior atenção aos meus amigos, ter mais tempo para eles.
Posso ter mais tempo para minha família, posso fazer melhor. 

E você? 

Vou tentar argumentar e dizer que preciso trabalhar, é verdade, eu realmente preciso trabalhar. Mas quando eu começo a perder o pôr do sol trabalhando, algo está errado. 

Posso tentar dizer que também meus amigos são ocupados, mas é fato que alguém precisa dar os primeiros passos. 

Aquela gota de chuva que caiu e aquele raio de sol que aqueceu aquela tarde sábado ... foram e não voltarão. Haverá um tempo em que eu não poderei mais aproveitar um raio de sol e nesse dia, como na música epitáfio do titãs, talvez eu vá remoer e me arrepender. 

Fato é que são esses pequenos momentos que realmente nos dão prazer, e haverá tempo em que eles não terão o mesmo sabor. Uma maçã murcha não tem o mesmo sabor da tenra fruta tirada do pé. 

Há coisas que não podem ser deixadas para amanhã. Nenhuma correria vai repôr esses pequenos fragmentos de vida que se perderam.

Eu não pretendo mais deixar para amanhã. 

Não temos nem teremos o controle de tudo, se o momento passar ele pode não repetir. 

Por isso deixe a chuva cair e molhar o rosto, deixe o sol brilhar e aquecer o corpo, deixe os filhos nascerem e aconchegar o coração. Há momentos que não podem ser adiados.

E você, vai só lembrar da chuva? 

Eduardo Gazola, Chapecó, SC
22 de Junho de 2012.


***
Deixo um pequeno presente que recebi do meu maninho Timóteo, vídeo e letra que me inspiraram à rápidas letras jogadas no texto pensando na chuva que eu não senti...

É só clicar no quero ler mais.

19 junho, 2012

Dos Medos - por Luciano Gazola



Há uns dez anos atrás ouvi alguém dizer que o medo era raiz de todos os buracos da alma humana, e que o medo era a chave do inferno! 
Eu estava na Faculdade comendo Bíblia e ouvindo pessoas que muito tinham e tem a me dizer. 


Construí teologias cristalinas e bíblicas, e me defendi com palavras como as que as que João disse, o verdadeiro amor lança fora todo medo
Com isso tentei disfarçar na forma de coragem o medo de pensar, de refletir e esse sim é um dos molhos que abre o inferno! 


Não tenho mais medo de pensar mas ainda tenho alguns medos... 
Porém muito mais amor do que medo. 


Aprendi com a escolha de Davi que pecou porém teve a graça de escolher que tipo de punição sofreria. “Prefiro cair nas mãos do Senhor, pois grande é a sua misericórdia, a cair nas mãos dos homens”. 


O padre Antônio Vieira comentou a passagem: “O juízo dos homens é mais temeroso do que o juízo de Deus; porque Deus julga com entendimento, os homens julgam com a vontade”. 


É por medo de ser o que se é que os seres humanos tentam ser divinos... 
É por medo de suas fraquezas que vestem a roupa da calunia, do maldizer... 


No mar da graça aprendi que o Evangelho não é um barco, nem uma roupa, nem um colete... É um convite! Se jogue no mar e você não ira afundar. Lucio

03 abril, 2012

Creio na ressurreição do corpo



Os cristãos do primeiro século escandalizaram o mundo afirmando que Deus se fez carne, padeceu e morreu no corpo, e no corpo ressuscitou. O Credo Apostólico ecoou no mundo antigo e reverbera até hoje: Creio na ressurreição do corpo, o que acarreta uma absoluta revolução na vida desde aqui e para a eternidade. A respeito disso, Paulo Brabo comenta a obra de Alan F. Segal, Life After Death, que discorre sobre a geografia e a história da vida após a morte na cultura ocidental, e também a respeito da radical diferença entre o pensamento grego e o pensamento judaico-cristão. 


Os gregos acreditavam que a essência do ser humano é a alma. O corpo é uma prisão, disse Platão. Acreditavam que o corpo era perecível e efêmero, diferente da alma, imperecível e eterna. 

28 março, 2012

Usando vacas para falar da vida

Por Luciano Gazola


Nas trilhas da caminhada cruzei por algumas vacas. 
Outro dia conversava com alguém que nunca tinha visto uma vaca frente a frente, ao vivo, estranho para mim, por mais urbano que seja nasci no interior do Rio Grande do Sul e vi muitas vacas, ainda as vejo, sempre tem uma vaca no nosso caminho! 


Tinha lá meus dez anos de idade quando corri de uma vaca louca com tanta agilidade que cruzei uma cerca de arame farpado sem entender até hoje como consegui. 


Tinha quinze quando em uma pescaria com meu pai à procura de um lugar melhor, caminhamos em torno da barragem do Passo Fundo, eu, ele e meu primo João. Vimos pegadas de uma vaca e alguém disse: se a vaca passou por ali podemos passar também. Afundamos, e até hoje não sei como a vaca passou! 


Já tinha 30 quando retornava de férias do Sul, e em Mundo Novo andando um pouco mais rápido do que o necessário uma vaca cruzou a frente do meu carro. Até hoje eu e a Priscila não sabemos por onde aquela vaca passou. 


Sempre tem uma vaca no nosso caminho! 


Mas nunca vi uma vaca abandonada, sempre tem alguém que queira uma vaca. Você já viu uma vaca abandonada? Vacas sempre dão algum lucro. Já vi crianças abandonadas, já vi velhos abandonados e pobres abandonados, mas vacas ainda não. Se um dia houver uma vaca abandonada, certamente não precisará passar pela fila de adoção, pois sempre há lugar para uma vaca em nossos corações. 


Jesus no Evangelho de Lucas 16 conta uma história, cria uma parábola para que os sabichões da lei entendessem a cerca do Reino de Deus. A parábola é simples e provocante. Um mendigo chamado Lázaro morre e vai para o céu. Um homem rico sem nome algum morre, e vai para o inferno e de lá tenta se concertar, mediar algumas coisas. O pobre vira rico no céu e o rico vira pobre no inferno. Qual é o problema de ser rico? Ser pobre é alguma virtude que nos leva a algum nível de santidade? 
A parábola, entre as muitas coisas que ilustra, sugere uma resposta sobre como identificar o Deus de alguém. Antes de contá-la Jesus indica que é impossível servir a dois senhores, é impossível servir a Deus e a Mamom, é impossível servir a dois deuses. A avareza indica a que deus servimos e aponta o caminho aonde chegaremos


O Deus que servimos não se revela em nossos discursos, não se revela na nossa aparente qualidade de vida terrena, nem tão pouco nas intenções de nossos corações. O Deus que servimos se revela nas nossas atitudes. As boas novas não são um belo discurso, não são prosperidades, nem bondade de coração. A boa nova é uma ação que gera mudanças e inversões apontando com clareza o Deus que servimos. Deus se revela no nosso cuidado com o outro, independente de lucros e ganhos, sempre teremos vacas e Lázaros no nosso caminho... A quem serviremos?
Luciano Gazola,
Fátima do Sul-MS,
26 de Março de 2012

13 março, 2012

Naqueles tempos e naquele tempo...

Luciano Gazola
Acho que eu tinha dezesseis anos. Os Titãs foram tocar em Santo Ângelo. Era uma noite de muita chuva. O anfiteatro estava lotado, mas a grama tinha virado lama, éramos muitos. Na maioria absoluta, jovens cheios de sonhos, desejos, pensamentos e irresponsabilidades. Ao meu lado um cara com uma garota na garupa, ela gritava e cantava e bebia, bebia muito! 


Naqueles dias eu ainda não externizava nada ou quase nada do que sentia, mas sentia muita coisa, eu sentia que podíamos mudar o mundo, sentia que ao som das guitarras e no poder das letras de Legião, Titãs, Engenheiros, podíamos mudar tudo... Mas eu sentia só para mim e geralmente esse sentimento terminava com a úultima cerveja. 


Então de tanto sentir e não fazer nada, acabei anestesiado! 


Acho que eu tinha vinte e dois anos, era sábado. Chovia em Campo Grande uma garoa paulista. Éramos muitos, a grama virava lama aos poucos. Do meu lado um cara com uma garota na garupa, ela gritava, chorava, orava. No palco Oficina G3. Olhava para o lado e olhava para cima e sabia de novo que podíamos mudar o mundo, ao som do Rock de G3, Resgate na palavra do Baterista que externizava um Evangelho de tribos! 


Naqueles dias eu voltava a sentir, dessa vez externizava muito. A anestesia havia passado. Verbalizei ideias, vivi delas e fiz com que a maioria acontecesse. Aprendi muito. Aprendi que não era eu, que era Ele e que éramos muitos e que o segredo era a soma de todos. Fizemos um monte de coisas. Crescemos, conquistamos, cansamos, caímos e levantamos um milhão de vezes. Alguns vieram, alguns passaram e alguns ficaram! 


Então vieram os goles de religião, poder bem mais anestesiante do que a velha cerveja. 


Antes de me anestesiar novamente eu corri, entendi que se eu não parar não haverá anestesia. Hoje busco um caminho sem atalhos onde o poder daqueles tempos e daquele tempo possam andar juntos nesse tempo! Eu encontrei e vou andar por ele e Nele para sempre sem anestesiar.






Luciano Gazola,
 Fátima do Sul-MS,
 13 de Março de 2012.

07 novembro, 2011

Passo a Passo 1 - Comunhão


Todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do templo. Partiam o pão em suas casas, e juntos participavam das refeições, com alegria e sinceridade de coração, louvando a Deus e tendo a simpatia de todo o povo. E o Senhor lhes acrescentava diariamente os que iam sendo salvos. (Atos 2:46, 47 NVI-POR)

Tenho sido encantado pelo texto de Lucas a Teófilo, o livro de Atos dos Apóstolos ou do Espirito Santo, sempre preferi dos apóstolos, tenho receio de que ao usarmos como Atos do Espírito Santo venhamos nos esquecer do fator humano do mover na Igreja Primitiva, essa tendência a se divinizar tudo nos roubou o mais divino que temos o HUMANO. Atos do Espirito Santo por meio dos apóstolos. 


 Em um tempo não muito distante do hoje, me encantava com os milagres primitivos, depois foi a vez de me encantar com a eclesiologia primitiva e suas hierarquias espirituais e ministeriais. 


Hoje o que me entusiasma é a comunidade primitiva! 


O maior milagre em Atos está na comunidade, na forma como viviam os irmãos , ali não há oligarquias nem hierarquias muito menos protagonistas, há sim um corpo unânime que encantava quem a volta estava. Parece utópico. Fora do tempo, fora de nossa cabeça nada primitiva. Mas eis o grande desafio evangélico, o desafio da igreja, FORMAR COMUNIDADE! 


Estou em Fátima do Sul a onze anos, minha primeira igreja e o primeiro pastor da igreja. Impossível me esquecer do início... Quem me conhece sabe que a nostalgia não faz parte de minha alma, pelo contrário, tenho uma facilidade enorme de viver um novo tempo, porém nunca jamais ignoro a história, principalmente a minha para que no caminho da reflexão possa construir e reconstruir vida! 


Sem dúvida o início foi marcante em minha caminhada, em minha espiritualidade, e o inicio era muito simples, formávamos comunidade e vivíamos unidos adorando a Deus. Crescemos mais no início e não somente numericamente, crescemos em graça e paz. No caminhar nos perdemos e paramos de ser simples para sermos conceituais, paramos de dar exemplos e começamos a pregar exemplos, nos perdemos, mas em tempo nos alertou o Senhor e hoje buscamos o desafio da simplicidade da comunidade para construirmos vida. Voltamos a ter o gosto da comunhão, o milagre do desprendimento, do perdão, do carinho da proximidade com o próximo e temos tido o gosto de reconstruir a fé da família da fé. 


Não era fácil ser comunidade no império Romano, os desafios deles eram tão grandes ou maiores do que os nossos, e as comunidades primitivas de Atos não eram colônias de isolamento, porque o Evangelho não isola, o evangelho reforma, muda. 


Creio e tenho tido o coração cheio de esperança de que vamos conseguir, de que vamos construir a felicidade, já que ela não está presa à lugares, culturas ou épocas, vamos conseguir... O grande milagre de Deus através do Evangelho é nos fazer mais humanos e mais próximos, sendo assim que toda estratégia seja para formar igreja e não para gritar conceitos, mas para gerar comunidades.

Vamos juntos construir o Reino de Paz e Graça em Fátima do Sul ou por onde estivermos.




Luciano Gazola
 pastor da ALIA em Fátima do Sul.







*** 
Passo a Passo é uma coluna com pequenos fragmentos da palavra de Deus e a interpretação sugerida pelo Pr Luciano, com textos curtos e diretos, para fácil compreensão e fixação da Palavra de Deus.

16 setembro, 2011

Carta de um Apóstolo ao seu Bispo - Caio Fábio [irony mode on]






Paulinho, apóstolo pela unção do mover dos últimos dias, líder na prosperidade e na conquista, a Timmy, verdadeiro filho na obediência a tudo o que digo, e que nada tem a dizer em contrário, pois sabe que Deus fere a quem mexe com um ungido do Senhor — fé e obstinação neste ano de Elias e de Gideão, conforme a fé de Abraão, e o poder dos 318 na Fogueira Santa de Israel. 





Quando eu estava de viagem, rumo à Disney, roguei que permanecesses ainda em São Paulo para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, nem se ocupem com sites sobre a Graça, que, antes, promovem discussões do que o serviço de nossa causa.


Ora, o intuito da presente admoestação visa levar todos ao temor e ao medo, ajudando-os a abandonarem suas próprias consciências a fim de seguirem apenas a nossa.

06 setembro, 2011

Saudades do que eu ainda não vi



Por Luciano Maia


Certa vez me contaram que muitos negros que eram escravizados morriam de banzo, que é um tipo de saudade tão apertada que a pessoa entra em inanição e falece. Meu irmão disse que meu pai quase morreu de banzo quando se separou da família e foi morar sozinho numa cidade muito distante, longe de todos os amigos e parentes.


Saudade é um sentimento muito dolorido, que todos já sentiram em algum momento em suas vidas. Sentimento que, se por um lado nos machuca, por outro distingue em nós as coisas e pessoas que gostamos muito e as que nem tanto. A saudade do que passou nos ensina a aproveitar o hoje, posto que o presente virará pretérito no futuro, portanto, carpe diem, para sofrer menos amanhã.

15 junho, 2011

O Nome - Ariovaldo Ramos

por Ariovaldo Ramos
Portanto , vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!

O nome, por definição, individualiza por identificar e tornar um ser exclusivo e único entre os seus pares.

O nome, por identificar e tornar exclusivo, também, circunscreve e limita, deixando claro que se está diante de um ser que tem extensão mensurável, o que, se, de um lado, lhe garante espaço, de outro lado, o delimita, impedindo-o de tomar mais do que o espaço que lhe cabe.

10 junho, 2011

Nóis é Crente mas nóis é Jóia



(por Rafael Oliveira)


O Bento depois de um processo um tanto doloroso, pois há tempos sofria por culpa de um calo nos pés, “cabra matuto” da roça se converteu, so que o abençoado do irmão Bento era “bruto” daquele tipo de gente que não fica “arrudiando” pra falar o que pensa, pense num “cabra popeiro” do tipo bruto, rustico e sistematico que ligeirinho “pega ar”, pois bem os cumpadre do Bento logo que souberam da sua nova vida, regada a biblia, jejum e oração resolveram “inticar” com o Bento.

01 junho, 2011

Como fazer de sua igreja um império - Revista Ultimato

 



1. Endureça o coração. Seja indiferente aos apelos de mães, padres, bispos, missionários e pastores em crise ou dificuldades. O sofrimento deles não é problema seu.
2. Seja obstinado. Não deixe ministros, profetas, amigos, colegas, ou qualquer outro convencê-lo a desistir do seu império.
3. Priorize as coisas. Entre coisas e pessoas fique com as coisas.
4. Valorize os números.Não importa quem saiu ou quem entrou, o importante é o saldo.