31 março, 2010

Sem desculpas...




Experimentos



Poesias para a Alma - Páscoa Amarga

por Evandro Santin
Quem colocou
o ovo e o coelho na páscoa?
só pode ser coisa do homem
que não prática as escrituras.

Não conhece o que significa pães asmos,
fazendo pães crescidos e doces.
Esquecendo que um povo
fez festa com ervas amargas.

30 março, 2010

Palavras

por Ricardo Gondim

Palavras são meninas fugidias, andorinhas no crespúsculo de minha existência. Palavras são anjos que riscam minhas trevas com o giz da beleza. No texto impreciso, iluminam o que este autor gostaria de ter dito.

Palavras ainda invertebradas, escapam à sedução do poeta. Contraditoriamente, são minhas servas fieis, pois sabem que serão gastas, apagadas e muitas vezes descartadas. Imprecisas, palavras desafiam os caixilhos da minha literalidade.

Um desviado entre nós

Dia desses ouvi que mais um desviado surgiu na igreja onde congrego.

Desviado, como você deve saber, é aquele sujeito(a) que sumiu da igreja, e quando você ouve algum comentário sobre ele, vem logo as piores informações, normalmente acompanhadas de uma virada de olhos, ou um balançar negativo da cabeça.

“Aquele ali só Deus...” é o campeão dos comentários dos irmãos menos radicais (não queira ouvir o que falam os irmãos mais santos).

Este ser vil, o desviado, habitualmente é lançado em uma espécie de limbo mental da membresia local: tratam rapidamente de esquecer o ingrato, que parece ter esquecido de como é bom ser como aqueles que ficam. Alguns da comunidade, mais piedosos, cumprem seu papel: visitam o sujeito, contam sobre a igreja e suas vantagens, falam que sentem falta nos papéis que ele representava quando fazia parte da comunidade. Mas esses caras não tem jeito: Dizem que voltarão em breve, e até arriscam a aparecer uma ou outra vez, mas no final, eles não tem jeito mesmo...

Mas quem seria o novo desviado da igrejinha do alto do morro?

Julgamento da Década

por Marcos Soares
Amigos, o país parou na semana passada para acompanhar, com certo exagero e sensacionalismo, o julgamento do casal Nardoni. Findas as exigências judiciais, estão condenados a décadas de reclusão por terem matado a menina Isabella. O forte clamor popular e a influência nem sempre isenta da mídia foram decisivos para o resultado do júri.

Não pretendo aqui discutir os aspectos tão exaustivamente levantados por todos no que tange ao julgamento, ao crime ou ao veredicto. Restrinjo-me à multidão que havia na porta do tribunal, clamando por justiça. Ou seria por vingança? Qual a diferença, se existe, entre justiça e vingança? Quem ali falasse em perdão corria o risco de morrer. Era efetivamente difícil descobrir o que, afinal, aquele povo queria. Se os dois, então acusados, fossem soltos no meio da rua, todos sabemos o que teria acontecido.