02 dezembro, 2009

A verdadeira Perfeição - Por Guilherme Alexandre





Olá meus amados irmãos, gostaria de agradecer-lhes a opotunidade de blogar nesse espaço a Palavra de Deus, como o próprio paulo diz : pregue a palavra (2 Timóteo 2:42). Trarei hoje uma breve meditação sobre um texto das Escrituras que estive pregando esses dias atrás na minha Igreja, onde falei sobre perfeição. 

O ser humano está sempre em busca da perfeição, seja a perfeição de um simples nariz como é o caso da Miss RS Bruna Felisberto que após um erro médico em uma cirugia de rinoplastia, acabou tendo sua beleza prejudicada, como também de uma coisa infinitamente maior, o chamado céu, onde tantos buscam encontrá-lo sem no entanto encontrar o caminho para ele. 


Apesar de sermos seres humanos tão imperfeitos temos sede por uma perfeição que nunca conhecemos, ou sequer experimentamos. E pensando nisso, dias atrás estava a ler a palavra de Deus, e encontrei uma perícope onde o senhor Jesus diz o seguinte: 

48 Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus. (Mateus 5:43-48. ACRF) 

Podemos perceber nitidamente com esse texto que perfeição não identifica-se com fatores externos como por exemplo: beleza, dinheiro, uma boa faculdade, mas com a forma como nos relacionamos com Deus. E se você ler os versículos anteriores vai ver também que perfeição está relacionada à forma como nos relacionamos com o próximo. Perfeição está alicerçada na idéia de relacionamento. E como o homem é um ser social, ele não se relaciona sozinho mas com alguém. 

Jesus no diz que devemos ser perfeitos como perfeito é o nosso Pai que está no céu, ou seja devemos ser perfeitos como Deus é perfeito. Mas como podemos ser perfeitos como Deus? Isso torna-se impossível, quando não olhamos para a pefeição de Deus através de Jesus Cristo. Em João 1.1 a Biblia diz: que o verbo, a palavra, o logos eterno e perfeito, se tornou carne, se tornou homem, virou um de nós. 

Fico mais apaixonado com Jesus quando percebo que em toda a sua perfeição ele escolheu ser como eu, no entanto sem perder sua perfeição. Em Jesus, Deus empatizou-se por nós, colocou-se em nosso lugar para comunicar do nosso jeito o jeito dele. E como fez isso? Através dos relacionamentos. 

Jesus se relacionava com todos, até mesmo com os seus inimigos, sendo que na oração da cruz: Pai perdoa-lhes por que não sabem o que fazem(Lucas 23.34), Jesus amou aqueles que consideravam-se seus inimigos. Jesus amou aqueles que ninguém amava e acolheu para junto de si a pecadora através do perdão: E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais(Joao 8.11)Jesus mostrou o amor de Deus que se encarna na realidade das pessoas, na vida e também na morte, quando compartilhou as nossas dores na sua vida: E Jesus Chorou (Joao 11.35) em Jesus Deus tornou-se Emanuel(Deus conosco). Todas as vezes que olho para Cristo vejo Deus apaixonado pela vida, pelas pessoas e por isso ele era perfeito, por que perfeição é o amor e Deus é amor e Jesus é Deus. 

A perfeição que vivemos nos dias pós-modernos é uma perfeição que procura me fazer melhor, melhor que outro. Se uma miss que tem um nariz lindo, procura fazer uma rinoplastia, com certeza não é por que ela queria que a cirurgia desse errado e assim sendo ela poderia permitir que as outras mulheres fossem favorecidas pela sua tragédia, mas por que ela queria ser mais bonita que as outras e assim ganhar o concurso. Se uma pessoa entra em uma faculdade e se esmera para ser o melhor aluno, com certeza é por que visa ao sair da faculdade conseguir uma vaga no competitivo mercado de trabalho, isto logicamente, tomar o lugar de outro que estudou menos. Se compro um tênis da Nike ou da Reebok que custa aproximadamente uma cesta básica não fiz isso em favor do outro, mas em favor de mim mesmo. Assim sendo a perfeição que o mundo busca é sempre egocêntrica e individualista, nao relaciona-se com ninguém a não ser com seu próprio umbigo. 

Agora quando Jesus exorta seus discípulos a ultrapassarem as barreiras do perdão da lei imposta por Moisés em que o limite era amar os que nos amavam e o odiar os que nos perseguem, e quando na própria mensagem da Cruz Jesus cumpre o que Ele disse, Deus está dizendo que em Cristo ele relaciona-se conosco de forma perfeita e que se relacionando com o proximo através do amor de Cristo nos relacionamos com Deus e somos perfeitos. 

A igreja tem um grande desafio: estender o amor de Deus para fora das quatro paredes, ultrapassar os limites da religião e cumprir o IDE de Jesus (mateus 28.19) de forma genuína. E para que isso aconteça, nós cristão devemos ser promotores da paz: 

39 Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;(Mateus 5.39) 

E esse desafio não é do mundo, mas da Igreja por que só quem experimentou o amor de Deus pode dar a cara a tapa, só quem vive esse amor pode morrer por ele. Uma igreja onde os seus membros não promovem a paz, é uma igreja doente, onde as portas do inferno tem prevalecido contra a igreja que com certeza não é a Igreja de Cristo. 

Finaliso dizendo que para ser perfeito é preciso negar a si mesmo(Marcos 8.34), por que qualquer um que não nega a sua vontade é incapaz de dar a outra face. Negar a si mesmo é renunciar, assim como Cristo fez, a sua vontade e cumprir a vontade do Pai (Marcos 14.46), e isso nunca é em favor de nós mesmos, mas do próximo. E sem amar o irmão que vemos, como poderemos amar a Deus que não vemos? (1 João 4.16) e sem amar o próximo, como o amor de Deus pode permancer em nós? (1 João 3.17), e se o amor de Deus não está em nós como poderemos ser salvos pela sua graça que se manifesta através do seu amor?


***

Gilherme Alexandre Monteiro da Silva é membro da Igreja Luterana (Alia) em Fátima do Sul, bacharel em teologia pela Unigran/Dourados-MS.

01 dezembro, 2009

Parando para Rir



Coisas de Igreja



O templo físico ainda hoje causa um certo efeito sobre as pessoas.

O mesmo cara que é bonachão lá fora, ao entrar no templo fica solene, sóbrio, sério.
Existe uma reverência dentro do templo como se Deus estivesse só lá dentro.
Todos nós sabemos que não é dentro e sim aqui dentro que Deus está.

Essa condição as vezes cria situações embaraçosas.
Cada um deve ter suas próprias histórias pra contar, eu já tive um ataque de risos no meio de um culto que simplesmente não conseguia controlar.
Outra vez ministrando o louvor sinto um cheiro suspeito e não era de capeta, o abençoado músico ao meu lado estava com uma incontrolável flatulência.


Mas duas situações eu considero as mais engraçadas que já presenciei dentro de um templo.
Como disse antes, ao entrar no templo as pessoas mudam a postura e também de linguajar.


Num culto de oração, durante a palavra, o pastor (não adianta pedir que eu não vou dizer quem é) estava exemplificando a figura de linguagem usada.
Ele falava a respeito de estar perdido, sem direção, no mato sem cachorro.
Então ele resolveu pedir à um irmão que acabara de se mudar de Goiás que expressão usava-se lá para essa mesma situação.
O irmão muito inocente não pensou duas vezes e soltou:
- Lá a gente diz que tá na merda mesmo!
A pastora que estava sentada na primeira fila ficou vermelha, a igreja inteira segurou o riso.
Pra dar um tom mais trágico o pastor não entendeu, ou não acreditou no que ouviu, e perguntou novamente.
- Lá a gente diz que tá na merda mesmo pastor!
O riso foi geral, o pastor ficou sem jeito, teve que improvisar pra voltar ao foco da pregação, mas no fim tudo deu certo.


A segunda situação cômica foi ao recebermos um pregador de fora em nossa igreja.
O pregador seguia a linha animada, pulava e gritava. A igreja como de costume segue o ritmo do pregador.
Cada glória! do pastor era um glória! da igreja.
Glória daqui, Glória dali, um irmão (não adianta pedir que eu não entrego) se empolgou e soltou um famigerado:
- P U T A   G L Ó R I A !!!
Eu chorava de rir e a igreja não entendia, ninguém ouviu, eu estava ao seu lado.
O uso da palavra ali foi como um advérbio de intensidade, seria algo como muita, mas muita glória mesmo.


Nossos ouvidos como que recebem um polimento ao entrarmos no templo.
Na rua, em nosso trabalho, em lugares comuns, ouvimos todo tipo de palavreado xulo e não damos atenção especial à isso.
Porém dentro do templo, como se nossos ouvidos recebessem um polimento, ao menor sinal de palavras não apropriadas já percebemos.


Se você também tiver histórias engraçadas que aconteceram com você ou que você presenciou, nos envie e publicaremos aqui.




Abraço,


Duda.

A igreja que não existe mais (1) - Ariovalado Ramos




por Ariovaldo Ramos


“Todos os que criam estavam unidos e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens e os repartiam por todos, segundo a necessidade de cada um. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E cada dia acrescentava-lhes o Senhor os que iam sendo salvos.” At 2:43-47


Na época do surgimento da Igreja do Novo Testamento, a palavra igreja significava, apenas, uma reunião qualquer de um grupo organizado ou não. Assim, o texto nos revela que havia um grupo organizado em torno de sua fé (Todos os que criam estavam unidos) – todos acreditavam em Cristo.

Segundo o texto, os participantes do grupo do Cristo não tinham propriedade pessoal, tudo era de todos (tinham tudo em comum) – os membros desse grupo vendiam suas propriedades e bens e repartiam por todos – e isso era administrado a partir da necessidade de cada um; e se reuniam todos os dias no templo; e pensavam todos do mesmo jeito, primando pelo mesmo padrão de vida (unânimes); e comiam juntos todos os dias, repartidos em casas, que, agora, eram de todos, uma vez que não havia mais propriedade particular; e eram alegres e de coração simples; e viviam a louvar a Deus; e todo o povo gostava deles, e o grupo crescia diariamente. Diariamente, portanto, havia gente acreditando em Cristo, se unindo ao grupo, abrindo mão de suas propriedades e bens e colocando tudo à disposição de todos.

Essa Igreja era a Comunhão dos santos – chamados e trazidos para fora do império das trevas, para servirem ao Criador, no Reino da Luz.

Essa Igreja não precisava orar por necessidades materiais e sociais, bastava contar para os irmãos, que a comunidade resolvia a necessidade deles.

Deus havia respondido, a priori, todas as orações por necessidades materiais e sociais, fazendo surgir uma comunidade solidária.

O pedido: “O pão nosso de cada dia, dá-nos hoje." (Mt 6.9) estava respondido, e diariamente.

Então, para haver o “pão nosso” não pode haver o pão, o bem ou a propriedade minha, todos os bens e propriedades têm de ser de todos.

Mais tarde, eles elegeram um grupo de pessoas, chamadas de diáconos – garçons, para cuidar disso (At 6.3). Então, diante de qualquer necessidade, bastava procurar os garçons, que a comunidade cuidava de tudo. Era o princípio do direito: se alguém tinha uma necessidade, a comunidade tinha um dever.

Essa Igreja não existe mais!

Continua.

30 novembro, 2009

Poesias para a Alma - Poucas Letras





Poucas Letras


Somamos vogais e consoantes
para anunciar aos quatro ventos
nossos sentimentos
poucas letras nos revelam
grandes significados
nem sempre avaliados.


Juntamos DUAS letras
e acreditamos ter a FÉ,
unimos TRÊS letras
e encontramos a PAZ,
agrupemos então QUATRO letras
e pensamos ter o AMOR.


Nunca teremos letras alguma
Se não tivermos DEUS no coração
e só assim teremos PAZ
em nossos Corações
para levar o AMOR ao próximo.




Evandro Santin

28 novembro, 2009

Pelo Resgate da Espiritualidade Gratuíta - Pr. José do Carmo da Silva (Zé do Egito)


Após dois mil anos, o cristianismo se encontra em crise, principalmente no Ocidente, e tal crise se manifesta visivelmente entre as Igrejas que são oriundas das herdeiras da Reforma Protestante do século XVI. Em muitas destas igrejas, principalmente as que se encontram na MÍDIA, podemos notar que os pontos da Reforma, Sola Scriptura - Somente as Escrituras. Solus Christus - Somente Cristo. Sola Gratia - Somente a Graça. Sola Fide - Somente pela Fé. Soli Deo Gloria - Somente a Glória de Deus, são amplamente desprezados. Dos pontos supracitados o perigo maior esta na distorção da Graça de Deus, pois a partir de sua reta compreensão a pessoa humana pode compreender as Escrituras, receber de Deus uma fé sadia por meio da leitura da Palavra e se relacionar com Cristo dando só a DEUS a glória.



A distorção da Graça, oriunda da deturpação da Palavra de Deus, tem gerado a riqueza de falsos pastores, e levando muitas pessoas a caírem em desgraça, espiritual, financeira e familiar. Sim, pois diante da mercantilização da fé, muitas pessoas na esperança de poderem receber algo de DEUS, sacrificam até o que não possuem, crendo que Deus ira honrá-la a partir de tal ato de fé. São muitas as pessoas que perderam bens, muitas esposas ou maridos que estão no vermelho, por sacrificarem o salário, a herança, o automóvel, às vezes até escondidos um do outro, e quando tais “sacrifícios” vieram à tona, o casamento entrou em crise, juntamente com a fé em Deus e a credibilidade no Evangelho.



Tais “sacrifícios” são ofertados não no altar do DEUS VIVO, mas sim nos altares da cobiça e vaidade, erigidos nos corações de muitas pessoas que havidas em ter, se tornam presas fáceis de falsos profetas, pois colocam seus corações nas bênçãos materiais e não no Doador delas, tornado se assim crentes materialistas, pois disse Jesus em Mateus 6.21: “Pois onde estiver o teu tesouro, ali também estará o teu coração”.



Para acabarem as "negociatas", "barganhas" e "sacrifícios" que deturpam a salvação pregada pelo verdadeiro Evangelho, precisamos voltar às fontes da espiritualidade clássica cristã, assim como Wesley fez em seus dias. É hora de queimarmos os livros de auto-ajuda falsamente intitulados "evangélicos” que prometem prosperidade e bebermos primeiramente da FONTE de todas as fontes, as ESCRITURAS SAGRADAS.



Para preencher o vácuo espiritual dos desencantados com as técnicas de enriquecer-se com coisas deste mundo, sugiro resgatarmos a espiritualidade desinteressada que brota de fontes de antigas literaturas cristãs tais como: Didaque o manual dos primeiros cristãos, “A imitação de Cristo” de Tomás Kémpis, “Experimentando as Profundezas de Jesus Cristo Através da Oração” de Madame Guyon, “Regras para um Viver e Morrer Santo” do Bispo Jeremy Taylor, “Noite escura da alma” de João da Cruz, “Aspirações da vida eterna” de Tereza D Ávila. Pessoas que cultivavam uma espiritualidade despojada, que adorava a Deus e não seu trono, que buscavam a renúncia e não o dinheiro, a reclusão e o anomimato e não a fama e o poder.



Creio que diante do estrago e vazio deixado nas almas de inúmeras pessoas decepcionadas com a falsa graça, derivada do “outro” evangelho pregado por falsos obreiros, precisamos ir além do denunciar seus arautos, devemos também oferecer remédios para a cura das doenças espirituais que nasceram da falsa compreensão da graça de Deus. E o principal remédio é a vivência de uma espiritualidade equilibrada, que brota da experiência com Deus e produz a santidade no coração e na vida do cristão.



Muitos dos misticos supracitados, principalmente Tomás Kempis e o Bispo Jeremy Taylor influenciaram muito a João Wesley no inicio de sua caminhada espiritual, obviamente que ele não abraçou acriticamente tudo o que tais místicos escreveram, mas, seguindo o conselho de Paulo, analisou todas as coisas retendo o que julgava bom. Nestes tempos de escassez espiritual, que falta bons referencias cristãos, defendo que devemos fazer o mesmo, voltarmos aos clássicos cristãos. Devemos reaprender com os primeiros cristãs a prática da oração contemplativa, a oração de submissão, baseada na espiritualidade de Jesus que diferentemente dos modernos cristãos deterministas orava dizendo: Pai, se quiserdes afastar de mim esta taça... No entanto, não se faça a minha vontade, mas a tua!.



Devemos buscar uma vida de total dependência e abandono nas mãos de Deus, crendo que Ele nos sustenta e basta, assim como diz Madame Guyon: "O abandono é uma questão de grande importância para o progresso; é a chave para a corte interior, de modo que aquele que sabe verdadeiramente se abandonar, rapidamente atinge a perfeição. Devemos, portanto, continuar firmes e imóveis, sem dar ouvidos à razão natural. Uma grande fé produz grande abandono; devemos confiar em Deus, "esperando contra toda esperança" (Rm 4,18).

Abandono é perder os cuidados egoístas, para que possamos estar todos ao dispor divino. Todos os cristãos são exortados ao abandono, pois é dito: "De fato, são os gentios que estão à procura de tudo isso: o vosso Pai celeste sabe que tendes necessidade de todas essas coisas." (Mt 6,32). "em todos os teus caminhos, reconhece-o, e ele endireitará as tuas veredas" (Pr 3,6). "Recomenda a Iahweh tuas obras, e teus projetos irão se realizar" (Pr 16,3). "Entrega teu caminho a Iahweh, confia nele, e ele agirá" (SI 37,5).

Portanto, o abandono deve ser tanto ao que diz respeito as coisas internas como externas; abandonar absolutamente todas as preocupações nas mãos de Deus, esquecendo de nós e lembrando somente Dele, por quem o coração permanecerá sempre desimpedido, livre e em paz."



Wesley viveu uma espiritualidade desapegada dos bens materiais, movido por ela, ele buscou os bens do alto e quanto aos bens terrenos (dinheiro )disse: "Ganhe o máximo que puder, poupe tudo que conseguir e dê tudo que for possível". Ele demonstrou desapego as coisas materiais, não buscava os bens desta vida, antes declarava: "Se não gastardes teu dinheiro fazendo o bem aos outros, tu gastarás em teu próprio dano", movido pelo amor aos perdidos dizia: “Temos um negócio neste mundo: salvar almas”.







Para os frustrados com a “teologia da prosperidade” que fizeram “sacrifícios”, instigados pela cobiça em seus corações, alimentada pelo “evangelho” do ter em detrimento do ser, vale estas palavras de Tomás Kempis: “Olha tu para os bens do céu, e verás que nada são os bens corporais, mas muito incertos e onerosos, pois nunca vive sem temor e cuidado quem os possui. Não consiste a felicidade do homem na abundância dos bens temporais; basta-lhe a mediania.” Estas palavras de Tomás Kempis, nada mais são do que o ecoar do que foi dito por Jesus Cristo em Mateus 6.19,21: Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam; Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam. Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.



O Apostolo Paulo, para não ir além daquilo que estava escrito, mas buscando ser fiel aos ensinamentos daquele que o encontrou no caminho de Damasco, enfaticamente ensinou a seu discípulo Timóteo: “Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contente. Mas os que querem ser ricos caem em tentação, e em laço, e em muitas concupiscências loucas e nocivas, que submergem os homens na perdição e ruína. Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão.” (1 Tm 1 de 7 a 11).



Outra coisa que precisa ser resgatada e pregada como antídoto ao veneno disseminado por falsas interpretações da graça de Deus, é o amor incondicional Dele para com o gênero humano. Deus nos ama, não por que sejamos bons, mas pelo fato de o amor ser sua essência, assim como diz João: Deus é amor. (I Jo 4.16). Pelo fato de o amor ser a essência de Deus, e devido a sua imutabilidade (Tiago 1.17), o amor Dele para conosco não aumenta nem diminui de acordo com nossos atos positivos ou negativos. A má compreensão desta verdade bíblica leva ao legalismo, a falsa santidade, a hipocrisia e a outras coisas tão comuns no meio cristão.



Certa vez recebi no meu gabinete um individuo que alegou ser ele o único na igreja que adorava a Deus em Espírito e em verdade. Quando perguntei a ele, o que lhe dava tanta certeza para fazer tal afirmação, ele respondeu-me: - “Pastor eu sou o único que não falto nos cultos, não falto na Escola Dominical, não falto no Estudo Bíblico e nem nas reuniões de orações! Repliquei: - “Pois é irmão, adorar a Deus em Espírito e em verdade, é exatamente o oposto do que você vem fazendo, é adorá-lo sem depender de “morar” na igreja, é ser livre para adorar a DEUS sem estar preso a estruturas, a este ou aquele lugar! É reconhecer-se pecador, é ter o mesmo sentimento de esvaziamento que houve em Cristo Jesus, a humildade!



A partir de então, passei a observar mais tal irmão, e notei que ele vivia olhando as falhas dos outros, sempre diminuindo a alguém e se exaltando, julgava-se o mais espiritual de toda a comunidade. Apesar de todos os esforços de minha parte, dos estudos a ele aplicados, das orações, dos aconselhamentos, o “santo irmão” passou a visitar outras igrejas onde dizia ter “fogo”, até que resolveu sair da igreja, alegando que não precisava de pastor, pois DEUS falava diretamente com ele a ponto de ter-lhe mostrado a Face. Saiu, mas não sem antes querer levar a igreja na justiça querendo direitos trabalhistas, depois de morar por quase quatro anos no pátio da igreja e ajudar a esposa dele nas faxinas aos sábados. Este é um dos extremos da má compreensão da Graça, por outro lado, há os que vivem uma vida de permissividade vivendo de forma dissoluta, apoiando-se na sua má interpretação da graça.



A má compreensão da graça provoca distúrbios na vida do individuo e da comunidade, tirando a paz e trazendo medos, fobia, manias estranhas, seus resultados ao invés de produzirem liberdade, humildade e equilíbrio, levam ao legalismo, fanatismo e a libertinagem. Precisamos pregar a graça de Deus manifesta em Cristo Jesus, mas acima de tudo precisamos tomar posse e viver as conseqüências dela advinda. Penso que uma pessoa que compreendeu ao menos um pouco da graça de DEUS, sabe que seu lugar não é no trono, mas sim aos pés da cruz de Cristo, prostrado clamando: Senhor por tua infinita graça perdoa todas as minhas faltas...



Brennan Manning, autor do clássico: O Evangelho Maltrapilho, é para mim dentre os cristãos contemporâneos alguém que conseguiu definir claramente estas palavras de Paulo em Efésios 2.8: "Com efeito, é pela graça que sois salvos por meio da fé; e isso não depende de vós, é dom de DEUS. Isto não vem das obras, para que ninguém se orgulhe". Clic neste link: http://brasilmetodista.ning.com/video/voce-cre-que-ele-te-ama assista o vídeo de Brennan Mnning, deixe o Espírito Santo convencê-lo/la do amor de DEUS e viva em paz consigo mesmo na total dependência da GRAÇA.

26 novembro, 2009

As portas do Inferno não prevalecerão


Jesus disse pro Pedro e o Mateus registrou que as portas do Inferno não irão prevalecer contra a igreja do Senhor.


Quando leio tal texto tão confuso paro o catolicismo que originou papas e alguns deles abriram as portas de tal modo que o inferno encarnou na igreja, sim a igreja ficou possessa, fico me perguntado o que Jesus queria que o Pedro fizesse com tão grande revelação.


Era isso uma palavra profética ? Era uma constatação ? Ou era uma afirmação ? Olho para a igreja hoje e vejo-a enfeitiçada pelo Reino das Trevas. Algumas viraram verdadeiras filias do Inferno. Oferecem exatamente o que o Diabo ofereceu pra Jesus no deserto. Caminhos curtos, fardos leves, atalhos, tudo isso na forma de prosperidade, saúde plena, semideuses , “cabeça em vez de cauda” e ai vai, os diabos de plantão são ungidos e ninguém pode tocá-los, tem jatinhos, carros importados, relógios rolex e ternos italianos.


Jesus será que algo deu errado?


Sei lá Senhor, mas parece que as portas do inferno estão prevalecendo. Então não era uma profecia, nem uma constatação e nem tão pouco uma afirmação. Para mim, e creio que para o Pedro também, mesmo que só depois do galo cantar, tal palavra era um convite e um convite com motivação. Jesus estava dizendo para o Pedro, vai, ide, não fique, ataque o inferno por que vou fazer um reino sobre todo reino. Mas não com a espada cortando orelhas por ai. Vá dando a face, orando pelos inimigos, vá sendo perseguido e aí serás perfeito e prevalecerá.


Pensando nisso, batalha espiritual só faz sentido se sairmos ao ataque. O que Jesus disse e disse muitas vezes é: podem ir, as portas do inferno não irão prevalecer sobre a igreja. Mas nem toda igreja é igreja de verdade e sobre essas que possessas estão, as portas do inferno infernizarão!




Pr. Luciano Gazola

24 novembro, 2009

A igreja que eu quero ser


Eu quero ser uma igreja diferente. 


A igreja que eu quero ser não tem hora de culto, o culto nem é uma cerimônia. 
A igreja que eu quero ser cultua em todo tempo porque cultua com a vida, vivendo.




A igreja que eu quero ser não é de parede e teto, ela é feita por mim e por você. 
É feita de gente, e gente imperfeita. 
Gente que erra, gente que falha, gente que tropeça. 
É feita de gente que ama e que ama ser amado. 
Gente que sorri mas que também chora.
Gente que sofre com as mazelas do mundo. 


A igreja que eu quero ser é uma igreja que se importa com a fome, com o sofrimento.
A igreja que eu quero ser sente a fome do faminto, sente a sede do sedento, sente o frio do desabrigado, sente a dor do doente.


A igreja que eu quero ser mostra o caminho da salvação, mas não tem os direitos da via nem cobra o pedágio da ponte.
A igreja que eu quero ser ilumina a estrada como um farol, para que todos possam passar pela ponte, e a ponte é Jesus.


A igreja que eu quero ser não tem nome, não tem placa nem mesmo uma sede. 
Ela está em mim e está em você. 
Quem a governa é Deus e o seu credo não está decorado. 
A base dessa igreja é o amor, o amor não fingido.


Nessa igreja não tem banco, nem mesmo liturgia. 
Nessa igreja você não precisa baixar a cabeça pra falar com Deus.
Ali você deve ficar de olhos bem abertos ao ouvir a voz de Deus, pois ele te manda olhar para o lado, te manda ver o teu irmão.
Nessa igreja pouco importa a duração do culto, pois o culto dura o tempo todo. 
Importa mesmo é que você seja essa igreja. 


Você não precisa de roupa certa para vir nessa igreja.
Não importa o que você tem pintado na sua pele, nem mesmo importa a sua pele. 
Nessa igreja todos somos igreja. 
Também não há cargos ou obrigações nessa igreja, você não é obrigado a nada. 


Eu quero ser essa igreja, eu estou tentando...




Duda.