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24 fevereiro, 2010

Sera um Circo...

por Pr. Luciano Maia
“No início, a igreja era um grupo de homens centrados no Cristo vivo.
Então, a igreja chegou à Grécia e tornou-se uma filosofia.
Depois, chegou a Roma e tornou-se uma instituição.
Em seguida, à Europa e tornou-se uma cultura.
Então, chegou à América e tornou-se um negócio.
Finalmente, chegou ao Brasil e tornou-se um circo !
Com tanto malabarismo teológico, palhaçadas, milagres tirados da cartola, só poderia dar nisso...”

CARLOS MATTIOLI, PASTOR

"...O problema maior é que embaixo desta tenda cabem muitos palhaços"
LUCIANO MAIA, PASTOR

18 fevereiro, 2010

Em busca de resposta

Recebi no email tempos atrás e agora repasso.

Essa é a história de uma moça jovem que morreu nas mãos de bandidos em Goiânia. Foi uma tragédia, um crime bárbaro. A mãe, então, faz algumas perguntas na sua angústia e o Pr. Caio Fábio (que também perdeu um filho tragicamente) escreve a sua resposta. É para uma reflexão profunda sobre a vida.

12 fevereiro, 2010

Poesias para a Alma - Retiro (me do) Carnaval

Por Evandro Santin

Amigos mundanos reunidos,
bebidas e som alto,
estes são alguns dos
ingredientes de todos os males
desta festa chamada de carnaval.


Dizem que descasam
pulando quatro noites,
mas, quando isso passa
o coração continua vazio.


04 fevereiro, 2010

Na sala de embarque

por Marcos Soares



Amigos, há várias coisas curiosas em uma sala de embarque. Como gosto de observar pessoas, percebo ali desde executivos engravatados a surfistas de chinelo, crianças mal comportadas pulando, correndo e tropeçando nas malas dos pobres passageiros, grupinhos de tripulação com seus quepes e lenços. Celulares, laptops, Ipods, Não-pods e Acha-que-pods. Tem de tudo. Cafezinho, água mineral e pão de queijo a preços impraticáveis. Pressa, correria, impaciência, reclamações e ansiedade. Olhares nervosos para o relógio. Uma irritante avalanche de microfones, funcionários anunciando alterações de portões, de partidas, todas com a inconfundível mania de anunciar em português e em inglês joel-santânico.

03 fevereiro, 2010

Café, livros e heresias



por Luciano Gazola

Eram oito horas da manha, estava dando uma passado pelo blog e carregando alguns emails. O escritório vazio de gente mas a mesa cheia de papeis, livros, fichas, contas e uma xícara de café sem açúcar. Gosto do aroma do café de preferência extra forte. Lá na frente alguém chegava. Um casal. Não precisou abrir a boca para que soubesse que eram vendedores de livros, CDs e DVDs.
- Olá Pastor Luciano como o senhor é novo, um pastor novo!
Aquele sotaque boliviano inconfundível e gostoso de ouvir.
- Novo? Vocês não viram o pastor Guilherme, se o vísseis saberiam o que é um pastor novo, disse rindo e fazendo piada que poucos entendem!

30 janeiro, 2010

Caio Fábio abre o peito




Até quem não era da época sabe do que se trata.
Caio Fábio abre o coração nesse desabafo emocionante que faz qualquer crente que tenha ainda o amor notório de Cristo chorar seu choro.

Não é mistério pra ninguém que me conheça minha indisfarçável admiração por esse irmão. Voz sempre lúcida no meio de tantos que apenas querem acumular vaidades sobre vaidades.

Apenas um foi perfeito e esse morreu a morte de cruz remindo os nossos pecados. Não imputemos à irmão algum o peso que nem nós mesmos queremos carregar.

Acredito que lúcio vai colocar nos comentários algo sobre o vídeo. Escute essa voz, pense bem no que temos feito, em como temos imputado cargas pesadíssimas àqueles que deveríamos suportar.

Em Cristo,


Duda.

26 janeiro, 2010

Vivendo no Sistema sem ser do sistema

Por Altair Germano

Muitos obreiros, irmãos e jovens me abordam no sentido de buscar conselhos e orientações por suas frequentes frustrações, desilusões e decepções diante da crescente corrupção, hipocrisia, secularização e da perda de rumo de alguns setores e denominações evangélicas no Brasil.

25 janeiro, 2010

Sem vocabulário

por Marcos Soares

Amigos, semana passada teve início a temporada 2010 do futebol nacional. Os craques da bola já voltaram de suas férias e depois das pré-temporadas de seus clubes, preparando-se para mais uma maratona de campeonatos, torneios e jogos, a pelota voltou a rolar. Juntamente com retorno aos gramados, recomeçam as entrevistas. Desde os canais locais até os programas em rede nacional, seremos mais uma vez expostos a um “riquíssimo e altamente elaborado” vocabulário, que nos faz pensar qual é a incongruência que existe entre jogar futebol e articular até duas frases com o mínimo de conteúdo. Desde a hora em que a bola rolar até o último dia de campeonato, lá por perto de dezembro, ouviremos centenas, milhares de vezes expressões do tipo:

19 janeiro, 2010

O Haiti, a mão de Deus e algo que não encaixa


por Alex Carrari

Não demora muito a de se pronunciar no meio protestante conservador alguma voz arbitrando às avessas em favor de Deus o mando, ou pelo menos a supervisão divina na catástrofe que se abateu sobre o povo haitiano. Sacando de qualquer manual de teologia sistemática uma pilha de versículos que legitime expressões como ira, cólera, vingança, juízo, relacionados a Deus no exercício da sua implacável justiça, devem em breve chuviscar em alguns púlpitos. Para estes, endossar qualquer dessas expressões é tão fácil quanto colocar a cabeça no travesseiro e dormir sossegadamente, crente que os fragmentos com que monta sua teologia - sempre em tese -, bastam por si mesmos.

16 janeiro, 2010

Ajude o Haiti


Há diversas formas de ajudar as vítimas do terremoto no Haiti, não somente com oração.

Além de orar, mobilize-se, pois há diversas vítimas do terremoto precisando de ajuda. A situação no Haiti é catastrófica e está além do que os jornais e as câmeras da TV podem mostrar.

Tenha cuidado com sites não confiáveis que podem passar dados de conta corrente para depósito, mas na verdade não passa de estelionato.

Seguem os dados de contas confiáveis para depósito e transferências em dinheiro para ajudar as referidas vítimas:

Nome: Embaixada da República do Haiti
Banco: Banco do Brasil
Agência: 1606-3
CC: 91000-7
CNPJ: 04170237/0001-71


Podem ser feitos depósitos ou transferências de qualquer banco e até mesmo de fora do Brasil para a conta corrente. Veja em OGalileo os diversos telefones, contas correntes e demais formas de envio e contato.

29 dezembro, 2009

Gente famosa que anda com Deus. Dizem.

“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” (Marcos 16:15-16). Lindo isto: pouco a pouco as pessoas vão entregando suas vidas ao Senhor Jesus. A palavra tem que ser levara a toda criatura. Evangelizamos, uma corrente vai se formando e vai atingindo pessoass em todas as classes e grupos sociais. É a palavra se propagando. É o eco vivo “Não está mais aqui. Resuscitou!”. Veja a seguir uma lista de “famosos” que se converteram e entregaram suas vidas ao Senhor Jesus:
Daniel Diau Daniel Diau
Sergipano, sucesso na banda Calcinha Preta por mais de 10 anos e agora abandonou o público forrozeiro. Daniel Diau, hoje pertence à igreja Evangélica Pentecostal, mesma igreja de sua esposa Roberta. Todos os integrantes da banda Calcinha Preta apóiam sua decisão e desejam boa sorte a Diau ”, diz a assessora do grupo. Desde que Daniel se ausentou, surgiram diversos boatos, a verdade é que Daniel se converteu há mais de um ano e agora vai se dedicar a sua religião. O cantor acabou de gravar um cd gospel, intitulado “Verdadeiro Amigo”, com a participação de músicos conhecidos no meio forrozeiro, como Gilson Batata, Petta e Roberto César.

27 dezembro, 2009

O lugar aonde eu quero nascer - Por Ariovaldo Ramos


Você sabe qual é a condição básica para a formação de uma nova família?

Você pode dizer: que as pessoas se amem, que sejam dedicados, que se tratem bem, que sejam carinhosos, etc.

Pois eu quero dizer-lhe que é possível pessoas que se amam, que se tratam bem, que são carinhosos entre si, não conseguirem formar uma nova família. Sabe o porquê? Porque não conseguiram abandonar a família antiga.


26 dezembro, 2009

Natal




Ola gente boa

Mais um natal! O Tempo passa, o tempo voa e a poupança Bamerindus já nem existe mais. Ainda “ontem” lembro -me como quem sente o cheiro do peru da vó, minha única expectativa era com o meu presente de Natal, o que era ontem expectativa hoje vira preocupação, o que darei neste natal?!

A igreja que não existe mais IV - Ariovaldo Ramos

,
O que existe?

- A Comunhão dos santos existe na realidade da Igreja invisível. Mas, que relevância tem na história uma igreja invisível?

20 dezembro, 2009

Conselhos (in)viáveis - Por Ricardo Gondim


"Não sejas demasiadamente justo" – Eclesiastes 7.16.


Não se pretenda justo, demasiadamente justo. O inferno do Legalista queima como fogo lento e frio. De boca tesa, ele caleja os nervos e passa anos sem rir; apaga as luzes para que sua sala permaneça soturna.

18 dezembro, 2009

Amazing Grace - Pra quem gosta de música



Amazing Grace

Amazing grace, how sweet the sound
That sav’d a wretch like me!
I once was lost, but now am found,
Was blind, but now I see.

O Buraco da Agulha - por Eduardo Gazola


“Então, disse Jesus a seus discípulos: Em verdade vos digo que um rico dificilmente entrará no reino dos céus. E ainda vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus.” (Mateus 19:23-24)

15 dezembro, 2009

Possuído pelas posses e vazio da Graça - Por José do Carmo da Silva


E eis que se aproximou dele um jovem, e lhe disse: Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?
Respondeu-lhe ele: Por que me perguntas sobre o que é bom? Um só é bom; mas se é que queres entrar na vida, guarda os mandamentos.
Perguntou-lhe ele: Quais? Respondeu Jesus: Não matarás; não adulterarás; não furtarás; não dirás falso testemunho; honra a teu pai e a tua mãe; e amarás o teu próximo como a ti mesmo.
Disse-lhe o jovem: Tudo isso tenho guardado; que me falta ainda?


Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.

Mas o jovem, ouvindo essa palavra, retirou-se triste; porque possuía muitos bens. Mateus 19. 16.22

A narrativa acima, estampa o questionamento existente nos corações de muitas pessoas, “o que fazer para ganhar a vida eterna?” A mesma narrativa se encontra também no capitulo 10, 21 do Evangelho de Marcos, porém com pequenas diferenças. Dentre essas sutis diferenças, na narração mateana, destaca-se na pergunta do jovem rico a seguinte citação: o que eu farei de bem, para herdar a vida eterna? Em algumas versões como a Almeida Revista e Atualizada, lemos: o que eu farei de bom, ao invés de bem. Na narrativa de Marcos, a pergunta do Jovem rico é: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?

Refletindo sobre o texto, conclui que, aquele jovem abastado, possuía muitas coisas em comum com muitas pessoas religiosas hoje. Dentre elas, as mais flagrantes são: Incerteza da salvação e incompreensão da graça de Deus.

Apesar de ser uma pessoa que diligentemente observava os mandamentos citados por Jesus, no coração daquele jovem que desde cedo aprendera o bê-á-bá da religião judaica, existia uma pergunta que não calava: “que destino terá minha alma, ao findar o labor dessa vida?” A dúvida quanto à salvação era a força motriz dos atos daquele jovem, todas as ações dele emanavam do medo de não ser salvo, isso o deixava em constante crise movendo-o numa busca doentia pela perfeição. Tal busca pela perfeição fez com que se destacasse sobremaneira dentre os de sua idade, superando a todos, pois tudo fazia com primazia, sendo o mais zeloso discípulos dos fariseus. Seus mestres orgulhosos por sua disciplinada observância da Lei em todos os seus pormenores, sempre o elogiavam, colocando-o como exemplo a ser seguido pelos demais jovens discípulos.

Mas, o que seus mestres e amigos não sabiam é que ele vivia em crise, pois apesar de todas as práticas religiosas, não sabia se era nascido de novo. Muitas vezes, ele desejou levantar a mão na sinagoga e abrir seu coração, mas tinha vergonha de fazê-lo, afinal era um jovem de destaque na sociedade farisaica, filho de rabino, como poderia titubear em questão de tamanha importância no campo da fé?

Sua precoce e perfeita observância dos mandamentos, fez com que ele se tornasse líder da MOFAJ. Mocidade Farisaica Judeiana. Ocupar tal posição, o angustiava mais ainda, afinal era um líder e não podia deixar transparecer dúvidas, pois precisava demonstrar para a juventude da Judéia que sua observância dos pormenores da religião se baseava na certeza de que já estava trilhando o caminho da salvação e não que ainda estava tentando encontrá-lo. Não podia manifestar suas dúvidas, pois seu pai o rabino Faleg, Al, ismo, com quem aprendera desde cedo a observar a Lei, esperava um dia tê-lo sucedendo-o na condução da sinagoga.

Diante do status social, da responsabilidade como líder da MOFAJ e das expectativas ministeriais do pai, expor sua insegurança no tocante à salvação seria desonrá-lo, portanto a solução era se calar e caminhar, pois fazer isso depunha contra um dos mandamentos que mais primava em observar: honrar pai e mãe.

Por se destacar diante dos de sua idade no tocante ao conhecimento e observância da Lei, fora convocado pelos fariseus veteranos, para juntamente com eles colocarem Jesus a prova. Os mestres foram primeiro, e ele decidiu ficar ao longe, entre a multidão, assistindo como seus professores agiam. Contudo, ao ver como Jesus desmontou os estratagemas deles, ao tentarem fazê-lo negar a Lei de Moisés com a questão do divórcio, pela primeira vez, passou-lhe pela cabeça, que muitas das coisas que aprendera e observara desde sua infância, poderia não ser como realmente lhe ensinaram. A maneira como seus mestres foram silenciados por Jesus, o rabino marginal de Nazaré, no tocante a indissolubilidade do matrimônio e a razão da liberação do divórcio por Moisés, levou-o, a perceber que seus mestres não possuíam sólidos conhecimentos de ensinos rudimentares da Torá.

Ao ver seus mentores saindo derrotados mais uma vez, pelas palavras de sabedoria que vinham da boca do humilde carpinteiro, o jovem rico sentiu que aquele era o momento, tomou coragem e se aproximando perguntou: - Mestre, que bem farei para conseguir a vida eterna?

Jesus, já de inicio, desmonta um conceito sobre o qual o jovem se firmara, declarando-lhe que ninguém é bom se não, aquele de quem procede toda bondade, diante de quem a justiça humana é um trapo de imundície, na narrativa de Marcos, Jesus reagiu respondendo-lhe: - Por que me chamas bom? Ninguém há bom senão um, que é Deus.

Fica claro nas palavras de Jesus, a resposta no tocante a conseguir a salvação, pois sendo Deus bom, a salvação só poderia ser fruto de um ato gratuito dEle, independente da ação humana (Ef. 28). A salvação é uma dádiva fruto da perfeita obra consumada por Cristo no Calvário. No tocante a ela podemos acolher o que diz Tiago: “Toda boa dádiva e todo dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das Luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.” – Tiago 1: 17.

O jovem não respondeu a indagação de Jesus, sobre o porquê lhe chamara de bom mestre, pois o que ele aguardava ansiosamente era a resposta sobre como obter a salvação. O chamar Jesus de bom mestre, foi apenas uma introdução para tão somente apresentar a questão que lhe era crucial. E Jesus, que sempre levava seus interlocutores a pensarem, segundo a narrativa de Marcos, responde a pergunta com outra pergunta:- Sabes os mandamentos?

Diante de tal pergunta, o jovem, sentiu-se seguro no caminho que trilhava, afinal, não só sabia os mandamentos, mas desde a sua infância os observava meticulosamente, tendo-os aprendido desde cedo com seus pais e aperfeiçoado o aprendizado com os rabinos, dentre eles Nicodemos, um dos mestres em Israel. Contudo, sua segurança duraria pouco. Pois, assim, como ele usou de uma introdução com Jesus, para chegar ao âmago de sua questão, Jesus perguntou introdutoriamente sobre o conhecimento dos mandamentos, para responder a ele, o que realmente lhe era preciso para alcançar a salvação.

Outro diferencial entre as narrativas de Marcos e de Mateus, é que segundo Marcos, diante da resposta do jovem discípulo de fariseu, Jesus fitando-o, o amou. Jesus ao fitar e amar aquele jovem viu seu ser possuído pelas posses. Enxergando nele um vazio da graça, decide então levá-lo a uma auto – libertação, indo direto na cadeia - mor que o acorrentava, disse-lhe: - Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.

A resposta de Jesus, penetrou os ouvidos do jovem discípulo de fariseu, pois, nela veio não só a resposta de como obter a salvação, mas a perfeição verdadeira. Porém, aquela resposta petrificou-lhe a alma, deixando o emudecido, pois para consegui-la, o Mestre Nazareno impôs-lhe um preço: renunciar a seus muitos bens materiais. Ficou claro também que a salvação, não resultava de obedecer aos mandamentos como zelosamente fazia, mas sim de seguir a Cristo. Isto significava não só desfazer-se de seus bens materiais, mas também de seus preceitos e preconceitos, abrindo mão de sua confiança na Lei, seguindo a um homem que comia e bebia com pessoas consideradas imundas, ao qual seus mestres haviam chamado de, obreiro de Belzebu o maioral dos demônios, glutão e beberrão de vinho, amigo dos publicanos e pecadores. (Mt 12, 24 e 11. 19)

Àquele jovem, estava prestes a conseguir verdadeiramente aquilo que falsamente demonstrou ter para as pessoas, a perfeição. Ao observar rigorosamente a lei, passava a idéia que ele era perfeito, em suas crenças e práticas. Agora, confrontado por Jesus, vê-se diante da possibilidade de alcançar a verdadeira perfeição.

A obtenção da perfeição, que rigorosamente buscava por meio da observância da Lei, estava diante dele, contudo, para alcançá-la, ele precisava antes desfazer-se daquilo que lhe possuía, a riqueza, sim, pois ele estava firmado sobre ela, nela estava o coração dele.

Naquele momento, o silencio tomou conta da multidão, e, em seu interior, o jovem lutava, entre o ter e ser. Entre ter os bens materiais e continuar angustiado pela incerteza da salvação pessoal, e ser capaz de desapegar-se dos bens que o amarravam se tornando servo de Cristo.

Porém, julgou ser muito alto o preço da perfeição, e escolheu continuar servindo as riquezas.

Ele não foi capaz de tomar uma atitude tal qual tomou Francisco de Assis, o qual compreendeu que é: “dando que se recebe e que somente morrendo para os bens deste mundo, se é possível viver para a vida eterna. Francisco de Assis ao entender que no servir a Cristo, existe riquezas maiores do que as materiais, abriu mão de sua herança indo viver entre e para os pobres.

O jovem rico precisava ter lido o que nos ensina Tomás de Kempis em, A Imitação de Cristo:
“Procura, pois desapegar teu coração das coisas visíveis, porque os que seguem os atrativos dos sentidos, mancham sua consciência e perdem a graça de Deus.”

Ele poderia ter agido assim como João Wesley, que após um ministério abençoado, ganhando o máximo possível, economizando e doando o máximo possível, morreu pobre deixando "uma grande estante cheia de bons livros, uma toga pastoral bastante usada, um nome escarnecido, e a imensa família metodista espalhada pela Inglaterra e diversas partes do mundo. João Wesley morreu desprovido de bens matérias, mas locupleto de tesouros nos céus. Sem procurar ficar rico, acabou ficando, mesmo já seguindo a Cristo, foi capaz de aceitar o desafio feito ao jovem rico. Sobre isso declarou:
“ Alguns livros alcançaram venda superior as minhas expectativas, e com ela fiquei rico sem querer. mas nunca quis ser rico, nem me empenhei por isso. Como tal fortuna, porém, veio-me inesperadamente, não cumulo riquezas sobre a terra, nem entesouro absolutamente nada para mim. Meu desejo e propósito são distribuir de graça o saldo do fim do ano... minhas próprias mãos executarão a distribuição dos meus bens".

E para que ninguém diga que não citei a Bíblia, digo que o jovem rico se tivesse aceitado a proposta de Cristo, poderia ter sido um exemplo para Saulo, outro zeloso jovem fariseu que mais tarde se encontrou com Jesus no caminho de Damasco. Ao ser encontrado e confrontado pela graça no caminho, abandonou a rígida observância da Lei para seguir a Cristo, tornando-se o apóstolo dos gentios, ensinando aos discípulos de Corinto, que no ato gratuito de dar reside uma justiça eterna. Sim, o antigo discípulo de Gamaliel, um dos mais ferrenhos observadores do judaísmo farisaico, tornou-se o arauto da graça, passando a chamar-se Paulo, e por ter compreendido o valor do desapego declarou: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. (2. Cor 2.9).

O jovem poderia ter aprendido com o próprio Jesus de Nazaré que disse: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.” (Lc 6. 38)

Apesar das pequenas divergências entre Marcos e Mateus, na narrativa do diálogo de Jesus com o jovem rico, ambos concordam que o jovem optou em agir diferente de Paulo, de Francisco e de Wesley. Diante da proposta de Jesus ele, retirou-se triste; porque possuía muitos bens. Retirou-se e seguiu seu caminho, possuído pelas posses, apegado a elas, e elas, apegadas a ele. Embrenhou-se na multidão, calado, em silêncio, contudo, a pergunta angustiante que se recusava a calar no interior dele, já não era: o que fazer para conseguir a salvação? Mas sim: como se libertar daquilo que lhe privava da salvação? O que lhe privava de ser perfeito e salvo não eram os bens em si, mas seu desordenado amor e apego a eles.

Paulo diz que, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males, e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores (I Tm 6. 10 ). O jovem rico virando as costas para a Graça lhe manifesta na proposta de Jesus, sumiu em meio à multidão, seguiu rico materialmente, mas miserável no tocante a eternidade, pois não teve coragem e tampouco fé para desapegar-se dos bens transitórios. “Partiu vazio da graça, sem se dar conta que o que recusou foram coisas eternas que, Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam.” 1 Cor 2:9

Muita gente, desde clérigos a leigos, dentro das igrejas cristãs estão possuídas por suas posses. Tais pessoas precisam de libertação. E, esta libertação não poderá ser feita por outra pessoa, pois o exorcismo dos bens materiais que possuem a alguém, não pode ser feito por outro, senão pelo próprio possuído, que numa decisão entre o material e o espiritual, o efêmero e o eterno, usando de seu livre arbítrio, tocado pela graça, deve diferentemente do jovem rico agir assim como Zaqueu, que ao receber Jesus disse: “ Senhor, resolvo dar aos pobres a metade de meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém,restituo quatro vezes mais.” (Lc 19.8).

Será que, depois dar cinqüenta por cento dos seus bens aos pobres e usar o restante para restituir quatro vezes mais a quem defraudará, teria sobrado alguma coisa para Zaqueu? Creio que não. Penso que ele se tornou pobre dos bens que desonestamente acumulara, mas rico em tesouros nos céus, pois escolheu o bem que não perece, o qual é a salvação, escolheu a melhor parte que não lhe foi tirada.

A libertação da possessão das posses, só pode ser efetuada mediante uma auto-libertação, que ocorre diante da proposta de Jesus, que disse: Não podereis servir a Deus e a mamom. (Mt. 6.24). E dando segurança a quem pela fé nEle e em sua sustentação aceita se auto-libertar, declara: Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? (Porque todas estas coisas os gentios procuram). De certo vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. (Mt. 6. 31 a 34)

Concluindo, eu penso que para Jesus, o mal não estava e nem está em possuir bens, mas sim em ser possuído por eles, e aquele jovem estava possuído pelas posses que tinha. Ele não possuía as posses, mas as posses o possuíam. Ele não tinha as coisas, antes, as coisas o tinham. Tiago diz em sua epistola: A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo. Ser religião pura e sem mácula é ser religião perfeita, gozando da perfeição que o jovem rico não quis abraçar por estar possuído por suas riquezas. Ele recusou a perfeição, porque sua obtenção requer de quem a busca verdadeiramente: despojamento, desapego, renúncia a tudo aquilo que fora de Cristo se torna segurança.

Nestes tempos em que outro "Evangelho" anuncia mais o ter do que o ser e coloca a pobreza como sinal de falta de fé, ou resultante do estar em pecado ou sob maldição divina, e se reivindica para os pseudos sacerdotes as primícias assim como se fazia no já caduco sacerdócio araônico, é preciso que tenhamos cuidado. É preciso vigilância, pois Jesus o atual e eterno sacerdote disse em sua Palavra, que, devemos dar aos pobres para que então possuamos um tesouro nos céus e não aos abastados pregadores da prosperidade para que tenhamos bens na terra. Seduzidos por tais ensinos, muitas pessoas apegadas às riquezas que já possuem, buscando mais ainda, ou tentando adquiri-las, estão deixando de dar aos pobres, acumulando assim tesouros na terra, mas perdendo os céus.

Pr. José do Carmo da Silva. (Zé do Egito)
Igreja Metodista em Fátima do Sul - MS.

13 dezembro, 2009

Cristo Salva - Por Ricardo Gondim





Jesus pode salvar teleevangelistas, pastores, apóstolos e bispos. Ninguém deve considerar os famosos pelegos da fé irremediavelmente perdidos. Cristo salvou Nicodemus, Zaqueus, Saulo de Tarso. Todos são amados de Deus, inclusive pilantras paramentados. Os cínicos de colarinho clerical também podem herdar o Paraíso. A pergunta é: como?

Salvação chegará à casa do religioso que se dispor a calçar as sandálias do pobre. Os palavrórios idealizados se esvaziariam caso os sacerdotes fossem obrigados a esperar por atendimento, sentados nos bancos duros dos ambulatórios médicos públicos.

Será que os evangelistas engravatados imaginam o drama de uma mãe solteira, negra e sub-empregada? A dor de não achar uma creche para deixar o filho e poder trabalhar? Qual deles estaria disposto a viver, só por um mês, a sorte de milhões de pais que enterraram o filho em uma cova rasa? Quantos já viram a familia dormir com fome? Será que imaginam o beco sem saída da exclusão social?

Tratam a sorte de tantos levianamente. Dá para suspeitar que embarcaram no carreirismo religioso só para escapar da marginalização econômica.

Cristo salva o pastor que for sensível com os que se angustiam nas seções de hemodiálise; junto com famílias que aguardam transplante de pulmão; nas clínicas de fisioterapia, onde mutilados e paraplégicos re-aprendem a andar; nas Unidades de Tratamento Intensivo dos hospitais infantis, onde crianças cancerosas precisam ser amarradas para receber quimioterapia.

Os que vivem da grandiloquência do discurso dogmático podem ser resgatados caso aprendam a solidarizar-se com refugiados de guerra ou de desastres; se souberem valorizar o esforço dos Médicos sem Fronteira, que cuidam dos miseráveis em Darfur.

Enquanto os sacerdotes tagalerarem doutrinas que, no máximo, produzem prosélitos, condenam a si e aos seus seguidores a um inferno duplamente aquecido.

Jesus pode libertar os teleevangelistas, mas é necessário que eles tenham escrupulos de não expoliar os moto-boys que arriscam a vida para ganhar um salário minguado; as empregadas domésticas que se submetem aos caprichos da madame da classe média; os carvoeiros que vivem na boca de fornalha para fazerem o carvão do churrasco do restaurante de luxo; as enfermeiras que enfrentam plantões insones.

Se continuarem a propagandear superstições ilusórias, não passam de cegos guiando outros cegos rumo ao abismo. Deles é o Reino do Mofino.

Entretanto, Deus não tem prazer na perdição dos sacerdotes. O Senhor insiste: “Eis que estou à porta e bato”; “O juízo começa pela casa do Senhor”.

Ofereço meu conselho para quem se diz ungido: arrependa-se e volte para Deus, que é rico em misericórdia. Você precisa ser salvo.

Soli Deo Gloria